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A alma da Índia

Os vendedores são a alma da Índia e são espelhos do seu próprio país: são muitos e querem meter pão na mesa todos os dias. Ou se vende, ou se passa fome. E quando o instinto de sobrevivência sobe no gráfico, variáveis como tolerância ou respeito descem. É uma condição nossa, como seres humanos. Não há como escapar, porque nós fomos feitos para isto, para viver. Depois, sim, vem o resto; e os valores treinam-se.

A Índia foi um choque, principalmente na primeira semana. E vindos do Nepal, um país mais pacato, com gentes puras, a coisa ainda se tornou mais difícil. Já aqui falámos de várias situações em que nos tentam enganar, não vale a pena repeti-las, até porque essas situações continuam a existir. Mas andamos a treinar a nossa realidade. Os valores não deixam de ter valor só porque não são nossos. Um dos objectivos desta viagem é mesmo este: adaptação.
Agora sim estamos a gostar da Índia. E muito! Mudamos de espírito, mas também mudamos de sítio (e isso também conta muito…).

Estamos em Jaisalmer. Entre esta terra e a fronteira do Paquistão estão 350km de deserto, onde nós já tivemos oportunidade de estar. A sorte acompanha-nos para todo o lado, e, sem querer apanhámos um grande festival da região. É algo como os nossos santos populares, mas no deserto. Assistimos a corridas de camelos, ouvimos músicos tradicionais e derretemo-nos a ver um encontro entre um sol em tons de despedida e uma lua pronta para ficar.

Entretanto iremos para Sul, para a portuguesa Goa. Já não temos muito tempo na Índia. Estamos a meio do tempo do nosso visto. E se antes calculávamos que 30 dias seriam poucos, agora temos a certeza absoluta disso.

Portanto, aproveitemos!

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