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Goa, um paraíso à portuguesa

Goa é um estado muito grande e eu não me vou pronunciar com observações gerais, porque só conheço duas localidades: Pangim e Anjuna. Em Pangim estivemos pouco tempo e aquilo que mais nos impressionou foi a forte cultura portuguesa presente em certos bairros. É curioso ir vendo a nossa língua mãe escrita em todo o lado: “casa Pinto”, “albergue Afonso”, “rua Coração de Jesus”, “colina do Altinho”, entre muitas outras. As casas são tipicamente portuguesas e até encontrámos pessoas a falar português.

Já Anjuna, é uma aldeia de praia. Vasco da Gama descobriu o caminho marítimo para Goa, mas os turistas e viajantes também. E não chegam só pelo mar, vêm de todo o lado. As caras ocidentais repetem-se quando se anda pelas ruas e os preços sobem conforme nos vamos aproximando das praias. Quem sofre com isso são essencialmente os locais, que vão sendo afastados das suas casas para darem lugar a quem tem mais dinheiro e as habitações vão sendo transformadas em hotéis e restaurantes.

Normalmente, quando isto acontece, há uma tendência para a região perder identidade, mas curiosamente, não está a acontecer em Anjuna. Aqui a genética foi alterada pelos hippies dos anos 60 e 70, que viram em Goa um local predilecto para perpetuar o movimento através da migração para esta zona da Índia. Esta ideia continua a ser cimentada nos dias de hoje.

Mas será que toda a gente vai para Anjuna porque outrora foi um “hippie paradise”? Não. Aquilo que salta mais à vista é uma inevitável comparação com o nosso Algarve: muitos indianos, jovens, com dinheiro, que vão passar uma temporada ao Sul da Índia para se divertirem. Não faltam também os russos e os ingleses que vêm fazer um turismo exactamente igual ao que se poderia fazer na praia da Rocha.

No entanto, também é fácil encontrar refúgios dos velhinhos da contra-cultura, e os locais de encontro do movimento neo-hippie.

Esta é a identidade de Goa que eu conheço: diversidade. E isto não é de agora, porque desde o século XVI que os templos hindus se misturam com as capelas cristãs.

Espero que este ponto que caracteriza Anjuna esteja longe de ser apagado. Fica mal difamar a diversidade. É muito melhor celebrá-la. E foi isso que encontrámos nas pessoas com que nos cruzamos em Anjuna.

 

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