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Pela selva adentro

O Laos é um dos países na Ásia com menor população, tendo à volta de 6 milhões de habitantes, mas geograficamente é um país bastante extenso e comprido. Aquilo que falta em pessoas está ocupado pela flora e pela fauna, com selvas que parecem que nunca mais acabam, o que torna este país pouco agastado pela maldosa mão humana.

Nós quisemos conhecer as profundezas naturais do Norte do Laos e aproveitámos a oportunidade de o fazer com dois guias. Fizemos uma caminhada, no Parque Natural de Nam Ha, oferecida pelo voluntariado que estamos a fazer, em Luang Namtha. Adorámos esta experiência, e não foi pouco.

Estivemos durante dois dias rodeados de verdes em sítios praticamente intocados pelo Homem. Sítios daqueles que se tem de ir de catana à frente, para abrir caminho entre os matos. Houve alturas que choveu bastante, o que fez aumentar a aventura, com solos molhados e argilosos a proporcionarem exemplares trambolhões. Tivemos que caminhar durante uma hora no rio e devido às muitas sanguessugas, não o pudemos fazer sem as nossas botas. Visitámos duas aldeias minoritárias e conhecemos dois dos muitos grupos étnicos existentes no Laos.

Dos países que visitámos e daquilo que eu sei, o Laos é um dos lugares onde se encontra os povos com mais semelhanças com as comunidades caçadoras-recolectoras. Já não são nómadas, é um facto; instalaram-se em aldeias em que o simples não pode ser mais limado. Mas acredito que se aproximam dessa geração de há 10 mil anos atrás, porque praticamente não produzem nada. 70% da sua alimentação vem da selva, ou seja, não há necessidade de ter hortas e pomares: vão buscar suplementos directamente à natureza que não está controlada pelo ser humano. Enquanto a flora for muita e a população for pouca, os recursos não vão faltar.

E fome, aqui, ninguém passa. Além destes alimentos vindos da mata (bambu, flor da bananeira, cogumelos e outros vegetais que nunca vimos na vida), comem também todo o tipo de carnes, desde as conhecidas de vaca, porco, galinha; mas também esquilos, sapos, cão, gato e muitos insectos. Só faltava comer pedra – e adivinhem – também o comem. Neste caso, é uma rocha que mais parece terra compressa, mas que só as mulheres grávidas o fazem. Vai-se lá saber porquê.

São questões culturais, que não estão nas nossas raízes como portugueses e, às vezes, são difíceis de compreender. Mas uma coisa aprendemos desde pequeninos: o que não mata engorda.

 

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