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Há tempestades que gostamos

Amanhã celebra-se o Ano Novo na cultura Laos. As crianças já abriram as hostilidades e, como manda a tradição, começaram as brincadeiras com a água. Vê-se miúdos ensopados, na estrada, a molharem todos aqueles que se atrevem a passar por eles. Segundo esta cultura, estamos na altura de lavar os males do ano passado.

A água tem o papel mais importante. E enquanto sentíamos as pesadas gotas de chuva que hoje decidiram aparecer sem avisar vivalma, enquanto ouvíamos os graves tons dos trovões, pensámos na ironia de andarmos a fugir dos miúdos e das suas pistolas de água e de, naquele momento, estarmos de t-shirt e calções, no meio de uma ponte, a enfrentar uma das maiores tempestades que já vimos. A chuva e o vento bombardearam-nos gotas de água que pareciam balas e nós, acreditem, não podíamos estar mais felizes. Sentir a natureza a fazer das suas faz-nos sentir vivos.

Talvez não nos soubesse tão bem se acontecesse no nosso dia a dia que levamos em Portugal. Talvez desse direito a uma resmunguisse desnecessária. Mas aqui, não temos pressões. Temos outras coisas. Melhores. Temos um bungalow, apoiado em estacas de madeira, com um ratinho a viver entre as paredes que nos vem visitar à noite e temos uma varanda que nos dá a melhor vista do mundo: o rio passeia-se à nossa frente e há uma montanha altíssima, capaz de rasgar as mais densas nuvens. Foi deste balcão que vimos o resto do espectáculo que a tempestade nos deu. Sabendo que podíamos lá ficar o tempo que quiséssemos. Porque, lembrem-se: aqui, não há pressões.

Estamos em Nong Kiaw, última paragem do Laos, antes de saltar para o Vietnam. Estas são algumas das fotografias tiradas após a tempestade pela hiperactividade da Ana que me dizia “não consigo parar de fotografar este cenário”.

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