4210663646.8dd5717.de874b916a494287b38e584ca2eda12c

O problema da generalização

Durante esta viagem temos encontrado muitos viajantes que já tinham estado no Vietname e cada um tem uma diferente opinião formada sobre os habitantes deste país. Alguns dizem-se encantados, outros preferem referir as más experiências que tiveram.

Nós, na última noite em Hanói, jantámos com uns amigos que conhecemos no Nepal e, nesse restaurante fomos muito maltratados pela dona do estabelecimento. Basicamente, fomos expulsos quase a pontapé, porque supostamente estávamos a ocupar uma mesa há demasiado tempo. E juro-vos que não estávamos lá há mais de 15 minutos. Entristeceu-nos o facto de ser tão fácil para algumas pessoas tratar mal os outros. Não conseguimos perceber de onde veio tanta raiva.

Ontem mudámos de poiso e, tal como planeado, fizemo-nos à estrada com o objectivo de procurar uma boleia. E nas 12 horas seguintes recebemos doses enormes de carinho. Primeiro, no local onde estávamos a tentar a nossa sorte, parou uma rapariga que vinha de mota a informar-nos que aquele não era o sítio certo. Seria melhor irmos para outra estrada. Entretanto, parou um montão de gente a tentar ajudar e prontificaram-se a levar-nos nas suas motas até à estrada correcta. Nós aceitámos e quando lá chegámos, a primeira rapariga que parou ofereceu-se para nos pagar o autocarro, em vez de tentarmos ir à boleia gratuitamente. Só com muita insistência é que conseguimos que desistisse da ideia. Mas a Ana não se livrou de uma oferta de um chapéu. A menina estava preocupada com o Sol a bater-lhe na cabeça.

Já na estrada correcta, bastou 20 minutos para que aparecesse uma carrinha de transporte, normalmente pago, que ia para o nosso destino. Nós dissemos que não queríamos gastar dinheiro, mas o condutor (o rapaz com o chapéu dos ursinhos) disse que nos levava gratuitamente. Espectacular. Lá fomos nós.

A hora de almoço chegou e nós paramos num restaurante para a refeição. Os novos amigos pediram comida para nós, bebemos cerveja e não nos deixaram pagar nada. Para eles nós fomos também uma aventura. Tiraram-nos dezenas de fotos e, entre eles, riam-se bastante da situação.

Antes de nos deixarem no destino, ainda tiveram tempo e vontade de nos mostrar um templo lindíssimo nos arredores da cidade. No final, entre abraços contidos, nem sabíamos como havíamos de expressar a gratidão. Só nos resta a certeza de que nunca nos iremos esquecer das pessoas que vos apresentamos na imagem.

Agora digam-me: será possível meter estas pessoas no mesmo saco da senhora do restaurante? Será possível tirar uma conclusão sobre as pessoas do Vietname? Claro que não. Eu posso tirar uma conclusão de cada experiência que tive. O erro da generalização tem sido desastroso para a humanidade. Não é fácil resistir. Todos nós o fazemos, de uma maneira ou de outra. Mas pelo menos tentemos. Um julgamento pode-se tornar uma pedra no sapato, principalmente se não for o correcto.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *