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As mil e uma profissões na Ásia

O 1º de Maio é também celebrado no Vietname. Neste dia do trabalhador achamos apropriado falar sobre algumas profissões que, por um ou outro motivo, nos ficam na memória.

Em primeiro lugar, o barbeiro. Há-os em todo o lado. Cada esquina serve de salão de beleza masculino, sem que para isso seja preciso um espaço físico com quatro paredes. É mesmo ali, no meio da rua, que o trabalho é feito. Assim como nos antigos estabelecimentos de barbearia à portuguesa, é um espaço de convívio. Ir desmanchar a barba sempre foi um pretexto para “dar duas de treta” e aqui não é diferente. Só que, neste caso, pode ser ao virar o quarteirão, debaixo de uma ponte, ou no meio de uma rotunda. Encontrámos muito este estilo de barbeiros no Nepal e na Índia e agora voltamos a ver muito no Vietname.

De uma forma muito idêntica, aparecem os vendedores de comida na rua. Por estes, eu tenho um carinho muito especial. Apesar de os haver na Índia e no Nepal, foi a partir da Tailândia que os começámos a ver e a frequentar com mais regularidade. Nestes locais come-se bem e barato, mas aquilo que mais me alegra é não haver a mão das grandes multinacionais a sufocar estes pequenos comerciantes. É com prazer que vejo um vendedor de rua a ter o seu negócio activo em frente ao McDonalds, sem que seja importunado pela ASAE ou por outra marioneta do género. Para já, por estes lados, não se vê pequenos negócios a serem fechados por algum pretexto estranho, quando toda a gente sabe que a razão principal é ser concorrente comercial de uma grande superfície. Não tenho nada contra os grandes mercados alimentares, porque de vez em quando também la caio. Sou é contra o facto de não se poder fazer escolhas. E se eu prefiro ir comer um prato de noodles na rua, deveria ter direito a fazê-lo. Nem que a senhora não lave as mãos antes de cozinhar.

Por último, quero-vos falar dos polícias do Vietname. Não estava na ideia referi-los neste artigo, mas depois do que assistimos ontem, tornou-se inevitável a referência. Ontem, véspera de feriado, houve um grande espectáculo de fogo de artifício. Milhares de gente na rua – uma loucura. Isto levou a uma grande presença policial. Mas o que nos espantou mais e nos fez dar muitas gargalhadas foi a enorme informalidade e o grande à vontade com que eles estão. Durante o espectáculo sentaram-se no chão, relaxadíssimos; estão sempre na brincadeira uns com os outros e quando alguma coisa os anima é num instante que começam a utilizar os apitos, simplesmente para fazer barulho. Também não hesitaram em fazer poses para as fotografias que a Ana lhes queria tirar. Uma comédia. É sinal que a autoridade não precisa de andar sempre rabugenta.

Estas são as profissões que escolhemos entre as mil e uma variedades laborais que vemos na Ásia. É com a maior das atenções que as vamos observando e colectando as diferenças que existem em relação ao que estamos habituados. Olhar é um dos nossos passatempos preferidos. Um olhar bem fundo para o maior dos conceitos: diversidade.

Bom feriado!

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