4210663646.8dd5717.4ed10a068bfa43919b8ef325deeb109f

Aqui não há heróis

Quando referimos que estamos no Vietname, é normal que a primeira impressão de quem desconheça o terreno seja “Epá, mas houve por lá uma guerra…”. Houve sim, senhor! Já não há e, ao que parece, está longe disso; mas nós não a queremos ignorar.

Há muito tempo que estávamos à espera do momento perfeito para falar desta altura sangrenta. Afinal de contas foi apenas há 42 anos e, apesar de nos parecer um assunto tabu para a população da Indochina, acreditamos que não esteja esquecida.

O tema emerge no nosso último destino antes de ir para o Cambodja, a cidade mais importante do Sul do Vietname: Ho Chi Minh. O nome da localidade cria, desde logo, movimentações para conversa porque antes chamavam-lhe Saigon.

Vamos por partes: o Vietname esteve dividido pelos dois grandes “C’s” do século XX – a norte o Comunismo e a sul o Capitalismo. Como é óbvio, os Estados Unidos da América tinham que vir meter o “bedelho” e invadiram o Vietname em 1955 sob o pretexto de travar o avanço global do comunismo. A guerra durou 20 anos, terminando com uma vitória para o Vietname e com a maior derrota bélica da história dos Estados Unidos. Terminou precisamente com a reconquista de Saigon por parte dos comunistas. Conseguem adivinhar o nome do homem forte do Vietname durante esse acontecimento? Ho Chi Minh, claro, que rebaptizou a cidade. Correntemente, a cidade continua a ser referida como Saigon, mas o nome oficial mudou.

A guerra do Vietname foi feita de diferentes ideais e é contada de várias perspectivas.

Chega de factos. Quis-vos introduzir no tema porque pretendo falar daquilo que vimos no museu da guerra. Tenho a licenciatura em História e sei que quem a faz são homens e mulheres, seres tendenciosos, simplesmente porque são humanos. Todos temos opiniões e apagá-las é um trabalho árduo, quanto a mim, impossível.

A guerra do Vietname foi feita de diferentes ideais e é contada de várias perspectivas. Neste museu, o vilão não é o mesmo que estamos habituados a ver nos filmes de Hollywood. A história é outra e contada de uma forma que eu também não gosto: sensacionalismo. Com fotografias horripilantes como cadáveres desmembrados e outros itens que criam imagens de terror, de vítimas vietnamitas em destaque. A tragédia perfeita para cativar a atenção do público. Somos loucos pela desgraça dos outros quando a olhamos de uma distância segura. Dei por mim a ter pena de uma menina morta ao lado da mãe a chorar, assim como tive pena das mortes do Apocalypse Now. Ainda bem que a tive. É sinal de compaixão. O pior é quando este sentimento evolui para afecto como ideal e, neste caso, um país. Acho perigoso. Não se deve apoiar causas pelas emoções. Principalmente quando há sinais de guerra. Aqui não há heróis. Aqui todos perdem.

 

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *