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O João ficou doente

O João ficou doente.

Se estivéssemos em Portugal, não seria razão de grande alarme, mas aqui no sudeste asiático a coisa já não é assim. Doença é sinal de alguma preocupação. Há malárias, dengues, encefalites e tantas outras que tais.
Primeiro as dores musculares. Depois, 39º graus de febre.

Perdoem-me o egoísmo! Mas naquele momento, preferia eu ficar doente. Aliás, durante todos estes meses, fui eu a hipocondríaca. Fui eu que ao ver o primeiro mosquito, ainda no Nepal, o nosso primeiro país, fiquei em paranoia a pensar em todas as coisas que nos podiam acontecer. Não estaria à espera que, assim que entrássemos no calor, seria picada em média umas 4 ou 5 vezes por dia. Fui eu também que, durante todos estes meses, ao mínimo sinal punha a mão na testa do João para sentir se havia alguma febre. O gesto tornou-se tão repetitivo que acabou por se tornar uma brincadeira.

Agora, fui eu a sentir um peso nas costas. O peso de estar a 10 000km de distância; a 10 000km dos meus, dos dele, dos nossos. E eu pensava: “o que é que eu faço com ele?”. Depois, as ideias evoluem em momentos de agonia. E eu pensava “o que é que eu faço comigo, se tiver que ficar longe dele?”.

Dirigimo-nos a uma clínica e fomos recebidos muito bem por uma médica que ouviu as nossas queixas e fez ao João o exame de sangue para despiste da malária. Os resultados saíam em 20 minutos. 20 minutos que foram uma agonia, que as minhas mãos mexiam e remexiam e que as minhas pernas batiam como se fossem uns dentes a tremer de frio. Porque os pensamentos eram os mesmos: – “o que é que eu faço com ele? Sem os meus, sem os dele, sem os nossos?”.

Felizmente, não havia malária. Havia outro vírus, o dengue. No dengue, que não é tão perigoso como a malária, não há muito a fazer. Toma-se paracetamol para combater os sintomas e espera-se que o corpo (sozinho) combata a doença. Espera-se também que não ocorram hemorragias, dores abdominais, do sistema respiratório, etc.

Foram dias penosos, em que se esperou e desesperou, porque já devem saber: o corpo e a cabeça são matreiras em alturas como esta.

Continuamos alertas, mas acho que podemos dizer que já passou. Passou o susto, fica a história para contar com o desejo que não haja muitas mais destas para vos falar. Temos tantas outras melhores, que valem bem mais a pena.

Agora, tudo o que falta são mimos. Os meus e os vossos, para uma recuperação a 100%.

Ana

P.S.: Por estas razões, esta semana não tivemos programa de rádio

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