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Nepal: O Primeiro Aconchego

Ainda estávamos no avião, a aterrar no aeroporto de Catmandu, capital do Nepal, e o nervosismo já nos inundava. Não sabíamos o que nos reservava este país e, muito menos, os próximos 6 meses. A primeira hora foi desconfortável. Confusão de vistos e pressão de taxistas: ainda não estávamos habituados.

Enquanto atravessámos a cidade com o taxista mais persistente, a caminho da família que nos ia acolher, vimos uma cidade velha, pobre, ruidosa e caótica. Entre nós, olhávamo-nos e sentíamos que a nossa perspectiva tinha encontrado outra realidade. A intensidade desse trajecto nunca será esquecida.

À nossa espera estava uma família que nos acarinhou e ensinou muito. Essa, aliás, seria uma constante no Nepal: gente muito receptiva e bondosa. Nesta casa ficámos 12 dias. A água, para beber, era fervida numa fogueira no quintal; para tomar banho, chegava-nos fria, gelando ainda mais o mês de Janeiro.

O Nepal é um país pobre e a sua capital reflecte. O trânsito caótico, o lixo e o pó são aliados daquelas ruas, que recebiam muitas pessoas sem casa e sem comida. No entanto, a nossa experiência em Catmandu não foi má. Saltitámos de templo em templo e de praça em praça, em contacto pela primeira vez com o misticismo do hinduísmo e do budismo.

Depois o contraste: os Himalaias. Local onde queremos voltar. Por estes trilhos fizemos uma caminhada de 4 dias pelas maiores montanhas do mundo, que nos preencheu o coração com um pedaço enorme. Subimos a 3200 metros e ficámos em guest houses que não precisávamos de pagar, em aldeias que os bens essenciais chegavam de burro. Os quilómetros eram feitos entre sol e gelo, com mochilas de 10 kg às costas. As montanhas engoliam-nos com facilidade com os seus atraentes verdes e nós deixámos. Nós e os amigos que lá criámos. Um grupo de gente boa, que tornou a experiência dos Himalaias ainda mais requintada.

O Nepal foi um dos países que mais nos marcaram. Talvez por ter sido o primeiro; ou talvez porque, simplesmente, foi uma boa experiência. Entre a China e a Índia, dois gigantes asiáticos, a sua pequenez transmite-nos aconchego. É um sentimento forte e quase inexplicável, que nos faz querer voltar. Até porque, há muito ainda por descobrir.

 

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