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Ora, vamos às contas!

Esta é a pergunta mais constrangedora: “Quanto gastaram?” ou “Quanto precisaram?”. No entanto, o incómodo vem da parte de quem questiona, porque nós assumimos o tópico com naturalidade. Nunca tentámos esconder, nem iludir, aqueles que sentem a normal das curiosidades.

A perplexidade de quem nos rodeia vem de um estigma muito conservador de que para viajar é preciso ser rico. Hoje em dia, com a internet e a comunicação facilitada, estamos todos mais perto uns dos outros. Encontram-se alternativas que nem sonhamos. Mas uma coisa é certa: não é fácil e é preciso extrema organização e maturidade. O dinheiro pode tapar os buracos deixados por estes valores, para quem os tem em défice. O dinheiro resolve muitas coisas numa viagem, mas inibe de chegar a outras. Oculta a verdade e a identidade. Estamos seguros de que se tivéssemos uma conta bancária mais recheada , não teríamos conhecido tanta gente, não teríamos feito tantos amigos e não teríamos passado pelas melhores experiências. Para quê dinheiro, se tenho memórias? O conforto material pode ser um regozijo, porque o que conta é estarmos bem; perto dos momentos certos.

Também tenho noção de que para nós, portugueses, não é tarefa fácil. Talvez seja por isso que nunca encontrámos um conterrâneo durante estes 6 meses. Não está ainda enraizado na nossa cultura. Sair sem previsão de vir, ou tirar uns meses para a descoberta. E quem o faz é visto como alguém demasiado corajoso. São questões culturais e económicas. Ora vejamos, na Dinamarca o Estado encoraja os jovens a viajar e a auto descobrirem-se durante um ano e têm bolsas para isso; em França há empresas que disponibilizam o ano sabático; na Austrália, EUA, Inglaterra o ano zero é visto como normal, assim como notamos mentalidades mais desenvolvidas nesse ramo por espanhóis, italianos, belgas e sul americanos no geral. Aqui, em Portugal, somos altamente pressionados para entrar no mercado de trabalho, o que, se o fizermos sem nos conhecermos a nós próprios , provavelmente seremos infelizes.

No final da semana sob a forma de esclarecimento, mas também para inspiração, vimos de contas feitas. Quanto?, como?, em quê? e porquê?. Diremos o que gastámos sem truques e com transparência.

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