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Era uma vez no Porto…

Uma nova vida devia ser mais fácil. Mudar de ambientes, pisar novas terras e escolher novos caminhos deveriam ser ideias integradas em nós. Mas não. Tornamos tudo difícil, refugiados num dito traiçoeiro e desonesto que sempre nos foi transmitido: “a vida é complicada”. A verdade é que há fracções que criam obstáculos nas nossas movimentações e nós, humanos e seres sociais, deixamos de o ser tornando-nos em coisas aos olhos dos outros. Só assim desviamos estas pedras manhosas do nosso caminho.

Eu e a Ana viemos para o Porto. A revolta ainda mora em nós quando pensamos na dificuldade que foi para conseguir habitação. É desta situação em particular que vos falo.
Os turistas, bichos ferozes, devoram tudo por onde passam. O Porto, como cidade, aponta as setas para este entusiasmo desenfreado, esquecendo-se da outra ponta: aquilo que traz os viajantes à Invicta – a identidade. Identidade são as pessoas de cá e este processo de afastamento do núcleo está a matar, muito lentamente, a galinha dos ovos de ouro.
Deveria haver lugar para todos, mas não são todos que podem pagar 500 ou 600 € por um T1. Não são todos que têm fiador, nem são todos que conseguem pagar 3 e 4 rendas adiantadas. E isto, o que há, é pouco. Foram escassas as casas visitadas e ao acontecer, tornámo-nos nas tais coisas; seres competitivos em busca de um prémio que deveria estar assegurado a todos: habitação.

Este é um desabafo fora do contexto das nossas viagens, mas uma mensagem importante que queremos passar. O turismo está a tirar-nos o coração de muitas cidades. É urgente um equilíbrio e fluidez. Não somos anti-turista, por razões óbvias. Mas somos contra um ordenamento histérico a pensar pouco na comunidade local.
Para a despedida surgir com um sorriso na cara, digo-vos que através da paciência e da sorte, conseguimos um apartamento que reúne condições agradáveis. Ficamos contentes com o novo ninho e esperamos ser muito felizes nesta cidade que sempre nos recebeu tão bem. Tudo a postos para novas aventuras.

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