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Saudoso voluntariado

Há muito que procurávamos uma experiência enriquecedora para a nossa viagem. Foi, em Kratie, no Cambodja, que conseguimos um voluntariado numa escola. Quisemos dar um bocadinho de nós, sabendo que seria maior a parte que iríamos receber. Assim foi. Estivemos duas semanas rodeados dessa energia única que só as crianças nos dão.

A escola tinha pouca organização. Aliás, em todos os projectos que estivemos envolvidos na Ásia, esse foi um atributo pouco visto. Neste caso, tivemos pena, porque notava-se que havia vontade. O dono da escola andou a juntar economias durante largos anos da sua vida para construir uma casa para os voluntários, sabendo que assim tem hipótese de ter professores durante o ano inteiro. O problema é quando o voluntário começa a leccionar e depara-se sem qualquer tipo de informação prévia, incluindo o nível de inglês dos alunos. Claramente que precisam de voluntários a longo-termo, que se disponibilizem para melhorar a organização.

O nosso caso foi outro. Propusemos fazer um documentário sobre a escola, o que nos pareceu que não foi levado a sério. Temos vindo a notar que algumas pessoas crêem que filmar e fotografar qualquer um faz. Basta ter um telemóvel. Mas lá conseguimos convencer que queríamos fazer algo profissional e que a escola poderia utilizar da forma que preferisse, incluindo angariação de fundos.

Haviam três escolas com várias aulas. Andámos a saltar de classe em classe com a nossa câmara que serviu de motivo a muitas macacadas e distracções. Tentámos passar despercebidos e assim se foi retirando imagens.

A meio da segunda semana, grande parte dos voluntários partiram e, assim sendo, muitos alunos sem aulas. Eu estava um pouco reticente em oferecer-me como professor. Usei o demasiado tempo ocupado pelo documentário como desculpa para o medo que eu tive da tarefa. A verdade é que eu nem sabia se tinha jeito para interagir com crianças. A Ana, pelo contrário tinha vontade de assumir o desafio e convenceu-me a fazê-lo também. Foi num instante que vi que estava a fazer uma tempestade num copo de água; que as crianças são bichos, mas não tem sete cabeças. A tarefa tornou-se fácil, pelo menos para mim. Ensinei o ABC e os números até 10 a crianças muito pequeninas, algumas com três anos de idade. A Ana ficou com alunos de nível mais avançado o que requeria outra preparação das aulas.

Ganhámos afinidade com as crianças. Principalmente com um grupo que passava os tempos livres na escola. Fazem do mundo uma brincadeira e dão-nos sorrisos como se não houvesse amanhã. Têm as suas traquinices, mas sempre com um respeito enorme por tudo e por todos. Gostámos muito de os conhecer e desejamos a melhor das sortes a este miúdos e miúdas. Nós já a tivemos, quando os conhecemos.

Teacher Boy e a Teacher Girl (assim nos chamavam), partiram de coração cheio e com o bolso cheio de desenhos novos para colar à parede, com sorrisos cravados na memória e com o coração grato pela experiência. Talvez, estas crianças nunca venham a perceber o quanto foram importantes para nós. Mas foram! E isso ninguém lhes tira.
Esperamos que a vida lhes traga felicidade. Que cada um dos meninos e meninas tenham milhões de dias saborosos. Tão apetecíveis como os que nos deram naquele saudoso mês de Maio.

@momondo #owtravelers #admomondo

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