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Viagens 100 Nomes - Viajar sozinho

Inspira-te a viajar sozinho

Quando se pensa em viajar sozinho há sempre muitos medos e receios à mistura, e a verdade, é que nunca viajei sozinha. Por aqui, somos dois viajantes à procura de melhor entender o significado da vida.

Contudo, no ano zero que fizemos, de viagem pela Ásia, fomos confrontados com várias pessoas que viajam sozinhas, entre elas, muitas mulheres. Foi desta forma, que escrevi um texto sobre os meus pensamentos acerca deste assunto. “Mulheres do Fim do Mundo” foi escrito para acabar com o pânico de qualquer pessoa, especialmente, as do género feminino.

A convite da Momondo, aqui está ele transcrito na íntegra:

“Hoje sou eu (Ana) que vos escrevo. Para vos falar de algo que me diz muito. Diz-me muito porque compartilho o mesmo género e por ser tão bom de ver que não há comodismo, quando se fala a respeito de pôr todos os problemas e preconceitos para trás das costas e sair sem medo para viajar.
Falo-vos de mulheres. Mulheres que viajam sozinhas. Mulheres de várias idades, vários países, que saem de mochila às costas sem destino traçado para conhecer este mundo que é de todos nós e que nos tem tanto para oferecer.
Comecemos:

Piper, 28 anos, dos Estados Unidos da América. Tem um trabalho que adora no seu país, numa companhia de comida Vegan que distribui para cantinas de escolas e empresas de três estados da América – Illinois, Ohio, Indiana. Isto faz com que ela não tenha uma casa andando sempre de estado em estado. Todos os anos tem 4 meses para viajar. Escolhe os meses de inverno por não gostar muito do frio. Inspira todas as pessoas à sua volta com a sua partilha de ideias em assuntos de activismo social.

Isabel, não nos quis dizer a idade, catalã, de Barcelona. Trabalhou durante anos a fio na indústria musical. Lidou com David Bowie, Michael Jackson, Madona, entre tantos outros. Foi um trabalho ao qual se entregou totalmente e que se calhar a impediu de se conectar a alguém para a vida ou de formar família. Há 10 anos atrás desistiu e foi trabalhar numa empresa de venda de bilhetes online. Mais recentemente, arrendou a casa onde vivia, vendeu o carro, cortou o cabelo e tirou 2 anos. 2 anos que diz serem para ela: 1 ano na Ásia e 1 ano na América do Sul, com tempo, muito tempo. Sempre o quis fazer e olha para todos nós, mais novos do que ela, como se fôssemos mais corajosos por o fazer com tão pouca idade. Mas, aos nossos olhos, quem aqui tem a maior braveza é mesmo a Isabel.

Marie, 25 anos, francesa. Acabou os estudos e teve uma grande oportunidade de trabalho. Por isso, foi trabalhar. Durante dois anos ajudou a formar uma nova empresa, na qual teve óptimos momentos. Mas a coisa começou a tornar-se rotineira, começou a dar dores de cabeça e quando a empresa se decidiu mudar de lugar, para outra cidade francesa, Marie tomou a grande decisão: demitiu-se e resolveu fazer aquilo que já queria fazer quando acabou os seus estudos, mas que a oportunidade no trabalho adiou. 7 ou 8 meses a viajar para experimentar coisas novas.

Claudia, 32 anos, do México. Cresceu numa família grande, rodeada de 5 irmãos e ganhou o gosto pelo futebol e pelas piadas que nunca param de lhe sair da boca. Tem também óptimas e práticas ideias, capazes de resolver qualquer assunto. Vai interromper a sua viagem pela Ásia, em Agosto, devido ao casamento da irmã na Alemanha. Até lá, tem todo o tempo do mundo para ir planeando o dia a dia. Deixou um emprego de vendas de casas ao qual lhe é fácil retomar quando voltar. Isto, se voltar.

No outro dia, o João comentava: “estou bastante impressionado. Há mais mulheres a viajar sozinhas do que homens”. Talvez porque aos homens não lhes é imposto nenhum medo; não lhes é dito que não o devem fazer sozinhos porque pode ser perigoso; não lhes é dito que se os pais deles tivessem juízo eles não andariam tão à solta; não lhes é dito que precisam de ser cuidadosos com o que vestem e com o que fazem para que as coisas não corram mal; e eles, homens, acomodam-se. À mulher, a quem é dito tudo isto e muito mais, adopta uma posição de resistência, fazendo-o da forma mais corajosa possível, para deixar as suas bonitas pegadas espalhadas por este mundo fora.

Admiro-as.

Admiro-as porque talvez antes desta viagem que começamos em Janeiro me parecesse impossível fazer algo deste género. Talvez porque a minha retaguarda familiar nunca me permitiu pensar que de facto fosse possível de o fazer. Talvez porque não está tão intrínseco na nossa cultura como deveria estar.

Hoje, tenho a sorte de ter o meu melhor amigo, confidente e amante comigo, mas se no futuro surgir oportunidades de viajar sozinha, com certeza não será o bicho de sete cabeças que outrora foi.

Estas, são quatro das muitas mulheres que vão até ao fim do mundo. E vão com tudo. Sem freio. Sem trauma. Sem medo.”

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