Portugal

Fisgas de Ermelo - Viagens 100 Nomes

Fisgas de Ermelo: uma cascata no Norte de Portugal

As Fisgas de Ermelo, localizadas no concelho de Mondim de Basto, são um recanto que vale a pena conhecer. Apenas a 1h30 do Porto, a sua cascata imponente, é considerada uma das maiores quedas de água de Portugal e uma das maiores da Europa, precipitando-se em vários saltos verticais. Ao cairem, vão se encontrar com o Rio Olo que nasce no Parque Natural do Alvão e que forma em alguns sítios um grupo de lagoas de águas cristalinas, as Piocas de Baixo e as Piocas de Cima.

Fisgas de Ermelo - Viagens 100 Nomes

 

Para além disso, o caminho até lá é feito pela Estrada Nacional 304, que pelo facto de ser “larga, com uma superfície perfeita, curvas bem ritmadas e vistas incríveis” foi considerada pela Ford, uma das “Melhores Estradas da Europa para Conduzir”.

 

Fisgas de Ermelo - Viagens 100 Nomes

Vejam porque vale a pena uma visita às Fisgas de Ermelo.

 

 

Mulheres portuguesas viajantes - Viagens 100 Nomes

Mulheres Portuguesas Viajantes

Mulheres do Fim do Mundo – Parte 2

Na altura em que fizemos a nossa viagem pela Ásia, deparámo-nos com imensas mulheres a viajar sozinhas. Ficámos até impressionados, por não ser de todo aquilo que estávamos à espera. Em homenagem a algumas das mulheres que fomos encontrando na estrada publicámos o texto Mulheres do Fim do Mundo. Em jeito de continuidade e devido às comemorações do Dia Internacional da Mulher, chegou agora a vez de dar a conhecer as Mulheres do Fim do Mundo Portuguesas. São mulheres portuguesas viajantes, de todas as idades e de todos os sítios de Portugal, que desbravam o mundo de fio a pavio.

Decidimos falar com algumas delas e perguntar-lhes qual o significado por trás do acto de viajar enquanto Mulher.

Mais uma vez, estas são algumas das muitas mulheres que vão até ao fim do mundo. E vão com tudo. Sem freio. Sem trauma. Sem medo.

(por ordem alfabética)

1. @boleiasdamarta

Mulheres Viajantes Portuguesas - Viagens 100 Nomes

A Marta tem nela todos os sonhos do mundo. Criadora do blog Boleias da Marta, foi em 2014, numa experiência de voluntariado em Moçambique que tudo mudou. Desde aí, já visitou 28 países e apanhou uma média de 300 boleias. Actualmente, encontra-se a trabalhar no departamento de comunicação da UNICEF, na Guiné-Bissau.

“Para mim viajar sendo mulher é um quebrar de preconceitos e estereótipos, é partir em viagem contra a opinião de tudo e todos e tapar os ouvidos quando dizem: “Não vás sozinha és mulher, é perigoso”, “Vais ser violada”, “Vais ser raptada”.
É ir para onde quero, quando quero e com quem quero, sem medos ou receios e mostrar ao mundo posteriormente que esses maus pensamentos não passam de bichos de 7 cabeças que são diariamente incutidos pelos media.
Há perigos e não vivemos num mundo cor-de-rosa, mas não deixo de viver por ser mulher e ser considerada frágil na nossa sociedade.
Viajar sozinha foi a experiência mais libertadora que tive na minha vida e que faz de mim quem sou hoje, uma mulher confiante, autónoma, decidida e aventureira e por isso nunca digo não a uma viagem, por não ter companhia.”

2. @joland.blog

A Maria João, ou Jo, como é conhecida, é uma verdadeira activista sobre ser mulher e viajar sozinha. Depois de experimentar uma vez, nunca mais parou e criou o universo da Joland. Para além de dicas e conselhos sobre o tema, tem também inúmeros guias de viagens, que são ouro para qualquer pessoa que queira viajar.

“A experiência de viajar é universal e todos sentimos o mesmo quando partimos à descoberta de um mundo que se torna cada vez mais fascinante e menos limitado a ideias pré-concebidas à medida que o conhecemos mais e melhor. E foi isto que as viagens, especialmente as viagens a solo, me ensinaram: que há que eliminar tabus, medos e inseguranças associados à ideia de viajarmos sozinhas. Temos de ser as primeiras a pensar em nós, mulheres, como viajantes e cidadãs do mundo capazes, fortes e independentes, para deixarmos um dia de ouvir comentários como “Foste sozinha? Que corajosa!”, porque a coragem não deve ser o principal requisito, mas sim a vontade de viver a vida em pleno e usufruir de tudo o que o mundo tem para nos oferecer, independentemente de sermos homens ou mulheres.”

3. @justgo_sofia

A Sofia do Just Go by Sofia além de ser uma Mulher viajante, é uma voz activa nas boas práticas de turismo, em termos de acessibilidades, para pessoas com mobilidade reduzida. O facto de se deslocar em cadeira de rodas não a impede de sair da sua zona de conforto para o Mundo.

“Viajar para mim é muito mais do que conhecer novos locais, novas gentes, novos costumes. Viajar para mim é pôr-me à prova, é desafiar-me, é superar-me e é, também, libertar-me. O facto de me deslocar numa cadeira de rodas faz com que viajar seja tudo isto. Vivemos num mundo, ainda, com muitas barreiras pelo que sair da nossa zona de conforto, onde temos tudo ao nosso jeito, faz com que sair de casa já seja uma aventura.

E como eu gosto de aventura não há nada como me aventurar e, ao mesmo tempo, tentar alertar para a questão das acessibilidades e assim contribuir para que cada vez mais se criem condições para todos. E como as barreiras não são só físicas há, também, que mudar as de mentalidade, pelo que, enquanto mulher viajante procuro inspirar outras mulheres a fazê-lo sem qualquer tipo de receio. Sozinhas ou acompanhadas o que interessa é ir e desafiar o mundo e os seus preconceitos.”

4. @world.citizen.girl

Mulheres Viajantes Portuguesas - Viagens 100 Nomes

A Alexandra, do blog World Citizen Girl, alimenta a sua sede por viagens desde pequena. Já visitou 78 países e conta já com a agenda cheia de aventuras para os próximos meses.

“Viajar para mim enquanto mulher é libertador, não há nada melhor que sair da minha zona de conforto e conhecer novas culturas, novas pessoas, apreciar a vida e aprender, além do mundo ter locais incrivelmente bonitos em que ficamos de boca aberta, o contacto com os locais também acaba por ser a cereja no topo do bolo. A vida é simples, nós muitas das vezes é que a complicamos, sinto que sou hoje a mulher que sou graças às viagens que fiz.”

Viagens 100 Nomes - Viajar sozinho

Inspira-te a viajar sozinho

Quando se pensa em viajar sozinho há sempre muitos medos e receios à mistura, e a verdade, é que nunca viajei sozinha. Por aqui, somos dois viajantes à procura de melhor entender o significado da vida.

Contudo, no ano zero que fizemos, de viagem pela Ásia, fomos confrontados com várias pessoas que viajam sozinhas, entre elas, muitas mulheres. Foi desta forma, que escrevi um texto sobre os meus pensamentos acerca deste assunto. “Mulheres do Fim do Mundo” foi escrito para acabar com o pânico de qualquer pessoa, especialmente, as do género feminino.

A convite da Momondo, aqui está ele transcrito na íntegra:

“Hoje sou eu (Ana) que vos escrevo. Para vos falar de algo que me diz muito. Diz-me muito porque compartilho o mesmo género e por ser tão bom de ver que não há comodismo, quando se fala a respeito de pôr todos os problemas e preconceitos para trás das costas e sair sem medo para viajar.
Falo-vos de mulheres. Mulheres que viajam sozinhas. Mulheres de várias idades, vários países, que saem de mochila às costas sem destino traçado para conhecer este mundo que é de todos nós e que nos tem tanto para oferecer.
Comecemos:

Piper, 28 anos, dos Estados Unidos da América. Tem um trabalho que adora no seu país, numa companhia de comida Vegan que distribui para cantinas de escolas e empresas de três estados da América – Illinois, Ohio, Indiana. Isto faz com que ela não tenha uma casa andando sempre de estado em estado. Todos os anos tem 4 meses para viajar. Escolhe os meses de inverno por não gostar muito do frio. Inspira todas as pessoas à sua volta com a sua partilha de ideias em assuntos de activismo social.

Isabel, não nos quis dizer a idade, catalã, de Barcelona. Trabalhou durante anos a fio na indústria musical. Lidou com David Bowie, Michael Jackson, Madona, entre tantos outros. Foi um trabalho ao qual se entregou totalmente e que se calhar a impediu de se conectar a alguém para a vida ou de formar família. Há 10 anos atrás desistiu e foi trabalhar numa empresa de venda de bilhetes online. Mais recentemente, arrendou a casa onde vivia, vendeu o carro, cortou o cabelo e tirou 2 anos. 2 anos que diz serem para ela: 1 ano na Ásia e 1 ano na América do Sul, com tempo, muito tempo. Sempre o quis fazer e olha para todos nós, mais novos do que ela, como se fôssemos mais corajosos por o fazer com tão pouca idade. Mas, aos nossos olhos, quem aqui tem a maior braveza é mesmo a Isabel.

Marie, 25 anos, francesa. Acabou os estudos e teve uma grande oportunidade de trabalho. Por isso, foi trabalhar. Durante dois anos ajudou a formar uma nova empresa, na qual teve óptimos momentos. Mas a coisa começou a tornar-se rotineira, começou a dar dores de cabeça e quando a empresa se decidiu mudar de lugar, para outra cidade francesa, Marie tomou a grande decisão: demitiu-se e resolveu fazer aquilo que já queria fazer quando acabou os seus estudos, mas que a oportunidade no trabalho adiou. 7 ou 8 meses a viajar para experimentar coisas novas.

Claudia, 32 anos, do México. Cresceu numa família grande, rodeada de 5 irmãos e ganhou o gosto pelo futebol e pelas piadas que nunca param de lhe sair da boca. Tem também óptimas e práticas ideias, capazes de resolver qualquer assunto. Vai interromper a sua viagem pela Ásia, em Agosto, devido ao casamento da irmã na Alemanha. Até lá, tem todo o tempo do mundo para ir planeando o dia a dia. Deixou um emprego de vendas de casas ao qual lhe é fácil retomar quando voltar. Isto, se voltar.

No outro dia, o João comentava: “estou bastante impressionado. Há mais mulheres a viajar sozinhas do que homens”. Talvez porque aos homens não lhes é imposto nenhum medo; não lhes é dito que não o devem fazer sozinhos porque pode ser perigoso; não lhes é dito que se os pais deles tivessem juízo eles não andariam tão à solta; não lhes é dito que precisam de ser cuidadosos com o que vestem e com o que fazem para que as coisas não corram mal; e eles, homens, acomodam-se. À mulher, a quem é dito tudo isto e muito mais, adopta uma posição de resistência, fazendo-o da forma mais corajosa possível, para deixar as suas bonitas pegadas espalhadas por este mundo fora.

Admiro-as.

Admiro-as porque talvez antes desta viagem que começamos em Janeiro me parecesse impossível fazer algo deste género. Talvez porque a minha retaguarda familiar nunca me permitiu pensar que de facto fosse possível de o fazer. Talvez porque não está tão intrínseco na nossa cultura como deveria estar.

Hoje, tenho a sorte de ter o meu melhor amigo, confidente e amante comigo, mas se no futuro surgir oportunidades de viajar sozinha, com certeza não será o bicho de sete cabeças que outrora foi.

Estas, são quatro das muitas mulheres que vão até ao fim do mundo. E vão com tudo. Sem freio. Sem trauma. Sem medo.”

Geres - Viagens 100 Nomes

Gerês – a conta que Deus fez

Foi um fim de semana que já nos apetecia. Sumir entre as montanhas. Tirar uns dias de folga dos estímulos rápidos e cansativos que fazem os nossos dias. O Gerês tem essa capacidade e nem a chuva insistente nos desanimou.

Geres - Viagens 100 Nomes

Soajo e Lindoso

Começámos na aldeia do Soajo, em horas do gado voltar para casa. O Koli, que não está habituado a animais de quatro patas maiores que ele, prendeu-se na trela. Guiámo-lo até ao centro da aldeia que conta com uma estátua de um canídeo, precisamente. Não deu importância ao monumento que revela uma mentira.

Uma memória que honra a raça “Cão Sabujo da Serra do Soajo”, e diz que esse é o verdadeiro nome dos Castro-laboreiro. Surpreendeu-nos esta lacuna na história dos animais domésticos. Ao que parece, alguns exemplares desta raça foram doados à monarquia portuguesa, o que fez com que os habitantes de Soajo se vissem livres das obrigações fiscais durante longos anos. Mesmo depois da curiosidade desfeita, o Koli continuou a não dar importância. Havia coisas mais interessantes, como os gatos fofinhos que se passeavam pelos espigueiros seculares da aldeia. Estes, os espigueiros, elevam-se do chão para secar o milho de quem o colhe. Assim, ao alto, afastam as bocas dos animais que lhe chamariam um figo. É uma função que cumprem desde tempos que não são de agora. Um dos espigueiros é datado de 1783. No total são 24. Um por cada hora do dia que eu passava a apreciar a calma da aldeia de Soajo.

Geres - Viagens 100 Nomes

Mas os dias estão curtos e há que aproveitar a luz. Seguimos para Norte porque sabíamos que dali a 10 km nos iríamos cruzar com Lindoso. Uma aldeia muito importante na nossa história como portugueses, que, aproveitando a sua localização fronteiriça, construiu-se um castelo com os canhões apontados para a Galiza. Foi determinante tanto na construção de Portugal, assim como na restauração da independência, 500 anos depois.

Dali a umas horas, passámos a fronteira com Espanha. Passámos no antigo controlo que separa os concelhos de Terras do Bouro e de Lobios. Voltei a recordar o castelo de Lindoso e a história que nos persegue. Apreciei com orgulho o meu tempo, a minha geração. O quanto nos podemos considerar sortudos por ter visto uns edifícios a cair de podre, em vez de um contingente militar a controlar o que se vai fazer no passo seguinte. Por ter visto o Koli a cheirar cada canto do castelo, em vez de canhões ou flechas a disparar. As fronteiras só nos trazem dores de cabeça. Para quê as ter? O direito de circulação é um direito instintivo de cada ser que vem à Terra.

Geres - Viagens 100 Nomes

A saúde do Gerês

Voltemos ao Gerês. Esperava-nos uma cabana que reservámos uns dias antes, na aldeia comunitária da Ermida. Era um sítio sem luxos, mas quentinho. Pequeno, mas aconchegante. As coisas mínimas fazem-nos estar mais perto uns dos outros.

Ouvimos a chuva toda a noite. Na manhã seguinte, continuava. Quais são as desvantagens? O Koli quando para, molhado, parece uma esponja a tremer de frio; a visibilidade é nula nos miradouros; a máquina fotográfica não tem tanta liberdade para andar cá fora.

E as vantagens? Temos o Gerês só para nós e os rios estão cheios de força. Foi assim que nos foram apresentadas as cascatas do Arado, do Tahiti e da Rajada, durante as nossas caminhadas. As três com uma força impressionante. Hipnotizavam só de as ver e ouvir. A frequência da água tem poderes incríveis, principalmente quando se está rodeado de montanhas gigantes, com as terras pintadas do castanho das folhas que o Outono fez cair, que choravam pequenos cursos de água que andavam ao sabor da gravidade. O Gerês mostrou e deu-nos saúde.

O fim de semana não estaria completo sem uma refeição carregada de regionalismos, num restaurante com lareira. Não foi difícil de encontrar. Enchemos o bandulho de satisfação e finalizámos a última tarde com os corpos bem quentes, nas termas romanas naturais de Bande, perto de Ourense, já na região da Galiza. Deixámo-nos perder entre os vapores que vinham de águas que há muito que se dizem medicinais. Se a água estava a 40º C, imaginem o quente que estava nos nossos corações. O Gerês, é isto.

Bons Sons Viagens 100 Nomes

Bons Sons e Cem Soldos: o par perfeito

Autorizam-nos a mudar de ares? Queremos estrear algo convosco, aqui pelo blog. Se não se importarem, falaremos do festival Bons Sons.

Esta não será uma excepção à regra. Queremos dar uso à nossa perspectiva em relação a festivais. São rumos habituais para nós e são ares que não se respiram de forma assim tão diferente das viagens, até porque nós, lembrem-se, colocamos em primeiro plano as experiências que levantamos de cada poiso. Assumidos festivaleiros, trazemos as melhores aventuras destes ajuntamentos em redor da música.

Curiosamente, este festival foi também uma estreia para nós, na aldeia de Cem Soldos. O Bons Sons, que já esteve mais próximo de ser uma festa da aldeia, afirma-se nos últimos anos como o maior festival em Portugal a dar exclusividade à música portuguesa.

Pensado e artilhado pelos moradores da aldeia com 600 habitantes, o Bons Sons abre a porta (literalmente) a milhares de pessoas. Sempre com um espírito muito comunitário entre a organização e a população de Cem Soldos, recebe-se os visitantes com uma alegria muito característica.

Este foi o nosso Bons Sons. Fez barulho durante os dias 9, 10, 11 e 12 de Agosto, com quase 50 concertos entre os 4 dias. O tema deste ano foi o Amor e segundo a organização esta edição de 2018 contou com a maior enchente de sempre. Mais de 38 mil visitantes passaram pelo concelho de Tomar.

A comunidade de Cem Soldos

Há sempre uma forte ligação entre o festival e a terra, principalmente se se estabelecer numa pequena localidade. Mas no caso do Bons Sons e de Cem Soldos esta relação é ainda mais bonita, chegando ao ponto de não se distinguirem entre eles.

É através do associativismo local que é realizado este evento que já conta com 9 edições. Aqui toda a gente dá a sua parte: abrem-se os quintais, cedem-se terrenos e até se ajuda nas lembranças para os artistas, que são feitas à mão por famílias da aldeia.

As casas, bonitas e arranjadinhas, fazem parte das paredes do festival. A intimidade dos locais está à distância de uma janela, que não se estranha ao estar aberta. Por lá, espreita uma população envelhecida. Sorridentes, não recusam estas movimentações já habituais dos meados de Agosto. Contemplam este festival com bons olhos.

Não é para menos. O Bons Sons é o rosto mais popular do projecto “Cem Soldos Aldeia Cultura” e propõe-se a atingir seis vertentes sociais: Envelhecimento, Turismo, Desporto, Urbanismo, Cultura e Educação. Tem sido uma enorme ajuda em projectos como o LAR-ALDEIA, que promove actividades e cuidados à população sénior; e a ESCOLA-ALDEIA, com os mesmos objectivos para as crianças. As acções inter-geracionais são altamente louvadas neste projecto, como o curso de costura criativa para todas as idades, que usa as peças criadas durante o ano para serem vendidas no festival e produz laços importantes entre avós e avôs, netos e netas.

Houve uma criança que nos mostrou como o festival é importante para a população envelhecida (a senhora mais velha tem 95 anos) ao contar-nos como os fundos servem para manter o centro de saúde da aldeia. O brilho que lhe reparámos nos olhos é difícil de explicar. A menina estava orgulhosa disso. É sempre mais fácil quando remamos todos para o mesmo lado.

Sustentabilidade

Foi bastante divulgada esta tendência para as boas práticas no Bons Sons. O pensamento verde foi transmitido aos festivaleiros de uma forma convincente através de novas atitudes que se têm desenvolvido ao longo das últimas edições.

Iniciativas que se formaram no campismo com WC’s secas, sem descargas de água, ou na iluminação que foi alterada para dispositivos LED. Note-se que no recinto se continua a usar casas de banho com agentes químicos e que a iluminação esteve ligada (por lapso, acreditamos), segundo o nosso reparo, em dois dias diferentes durante a hora do Sol.

De resto, o sucesso fala por si próprio. Os solos vazios de lixo e de plástico com o copo reutilizável a funcionar exemplarmente e a mostrar-se um fenómeno sustentável por cada festival que passa; e os famosos pratos comestíveis que foram uma surpresa para nós em festivais, feitos de farelo que se desintegram muito rapidamente.

Louvor à música Portuguesa

Foram 48 espectáculos que decorreram durante 4 dias. A festa começava logo a seguir ao almoço e rompia pela tarde, até ao término pela madrugada já com o Sol quase a raiar. Não é para meninos. É algo muito sério, distribuído por sete palcos divididos pela aldeia. A estes acrescenta-se outro, o Palco Garagem, animado pelos próprios visitantes que quisessem mostrar talento.

Durante algumas tardes tivemos a oportunidade de assistir a algumas sessões que ligavam a música às artes performativas. Houve também tempo para concertos inesperados pela aldeia, com alguns artistas a surpreenderem ao aparecerem em locais não previsíveis, para alguns minutos de um concerto acústico. Entre estes esteve Salvador Sobral, cabeça de cartaz logo no primeiro dia.

Nos restantes palcos fomos entretidos pelos velhos e novos nomes. Não querendo fugir ao tema do blog, que não é de crítica musical, quero falar-vos de três referências sonantes que somaram pontos no Bons Sons.

Slow J é uma revelação importantíssima no panorama do Hip Hop. Poeta maduro e muito eficaz, transmite-nos uma intensidade muito verdadeira. Entre beats ousados sente-se algo muito puro naquele cenário criado por Slow J, que, sem querer, envolve-nos em toda a sua humildade. Acompanhado por músicos muito experientes e versáteis, não desiludiu. Foi surpreendente ver um rapper a largar rimas de guitarra na mão.

Somos repetentes exaustivos dos Linda Martini. O quarteto já passou muitas vezes nas nossas vidas e conseguiu-nos sempre transmitir algo. Rock pesado e rítmico, mas hipnótico, bem interpretado por um grupo sempre a transbordar de energia. Não vimos o entusiasmo de outras vezes. Contudo, estes meninos e menina continuam a merecer toda a nossa admiração.

Por último, Dead Combo. A dupla tem vindo a mudar de estratégia e neste momento já está longe a altura em que os senhores se importavam com a intimidade, procurando salas pequenas, com ouvintes que se identificassem. Tó Trips e Pedro Gonçalves já são um fenómeno de massas e fazem bailar muita gente. A banda que neste momento arrastam segura toda a energia que o público precisa. Entre eles está o baterista Alexandre Frazão, que mostrou todo o seu vulcão técnico em dois solos monstruosos. Estão num bom caminho, os Dead Combo. Dos melhores que vimos.

Outros nomes que nos trouxeram Bons Sons: Lince, Salvador Sobral, PAUS, Cais Sodré Funk Connection, Conan Osiris, Zeca Medeiros. 10 000 Russos e António Bastos.

Mais Bons Sons

A música funcionou como pretexto. Não estava sozinha. Tinha a melhor das companhias por actividades que não se limitam a operações de marketing e entrega de brindes. Às famílias, que eram bastantes, não faltaram propostas de sorrisos. Todas as manhãs eram preenchidas por pequenos concertos de música para crianças. Os “Jogos do Hélder” são feitos e imaginados por quem lhes dá o nome, com materiais básicos como a madeira. Diversão para todas as idades garantida.

Além disto, tivemos o gosto de seguir três adolescentes numa das muitas visitas orientadas que se faziam pela aldeia. Através da população mais nova, foi possível aprender alguns pontos historicamente importantes, curiosidades e conhecer a estrutura que se encontra por trás do Bons Sons.

Crianças, velhos, jovens de todas as tribos sociais… Assim se fez o festival, que este ano estreou o sistema cashless, onde não circulava dinheiro vivo. Funcionava com um carregamento antecipado nas pulseiras de cada visitante. Moderno, mas tradicional e bastante diversificado.

Nota positiva para o Bons Sons que nos agradou bastante.

Viagens 100 Nomes - Praia do Tonel

De papo para o ar na praia do Tonel

Na praia, de papo para o ar. Há algum verbo para isso? Se houver, é longo e fundo, capaz de curar muita maleita. Principalmente se o dito papo estiver virado nesta praia, a do Tonel. Francamente bonita e relaxante.

Não há indicações para chegar a estas bandas, mas fica um pouco antes da Zambujeira do Mar. São caminhos bravos para uma autocaravana, que se fazem por terras privadas. Mas o mar no horizonte atrai-nos sempre como um íman de esperança.

Num precipício, chegámos ao fim da estrada e ao início de uma das mais vistosas praias que já pisámos.

Poisámos o ninho e estacionámos a caravana. No instante seguinte aventurámo-nos pela falésia abaixo. Esqueçam a fácil acessibilidade. Com crianças é complicado. É difícil para nós, mais ainda para eles. E se eu não tivesse um cão TT 4×4, até isso seria um impedimento.


Enfim, chegámos e disfrutámos. O céu pintado na água, dá gosto. Há banhos que valem milhões. E enquanto secamos ao sol ele vai baixando. Devagarinho vai reduzindo a luz e desenhando cores incríveis para cada olhar.
Estamos bem. Acreditem.

Viagens 100 Nomes - Almograve

Cultiva-se tranquilidade em Almograve

Dirigimo-nos a conta-gotas para o Sul. Se procuramos algo, não sabemos. Talvez tranquilidade, que não se encontra, mas cultiva-se.

Estamos em Almograve e, até agora, as bússolas têm-nos apontado para praias mais desconhecidas e menos frequentadas. Não nos levem a mal. Não nos achamos especiais e continuamos a gostar de pessoas. Estas é que às vezes não toleram cães e o nosso bicharoco gosta de estar sem trelas, sem sinais de controlo a animais e sem olhares de lado reprovadores.


Temos tido sorte. Por estes lados nascem praias a cada 
obra da nossa costa. Os acessos, desajeitados, tornam tudo mais divertido. Afinal a recompensa é enorme. Areias limpas e despoluídas, enfeitadas por algas verdes e secas. As rochas, rodeiam-nos.

Enfeitiçam-nos com a sua história contada através dos seus sábios sedimentos, alguns já velhos e curvados. As pedras rolam porque o mar assim o quer e, entre elas, criam a sua própria música.


Hoje falei com a Ana acerca das nossas viagens. Do quanto é difícil nos surpreendermos com as praias de outras costas. A explicação está aqui. De onde vos escrevo. Ainda bem que estamos mal-habituados.

 

Viagens 100 Nomes - Costa Alentejana

Paraíso na Costa Alentejana

Já alguma vez sentiram o vosso barco a afundar? Nada que não se resolva. A terra é vasta para escolher outros meios e não é necessariamente mau encalhar. Há escolhas e caminhos que estão sempre à nossa disposição. Aqui, neste paraíso da Costa Alentejana, em Vila Nova de Milfontes, desembarcou uma tripulação holandesa. Não olharam mais para trás e deixaram o seu legado entre as rochas que rapidamente se adaptaram a este estranho objecto.

A Natureza está a tomar conta do assunto. Neste mesmo sítio, estivemos há dois anos e as pedras polidas afinaram as arestas de tudo o que lhes apareceu à frente. Não parece o mesmo barco. Os marinheiros e o próprio tempo encarregaram-se de o deixar esquecido. Dali não vai sobrar nada. Estes mares pertencem agora a outras embarcações.

Porto Covo - Viagens 100 Nomes

Porto Covo, é de onde vos escrevo

Não me tem apetecido escrever. Não pela falta de destinos, mas talvez porque estas voltas me têm levado a lugar nenhum.

As preocupações destabilizam a recepção de novos mundos e fecham os canais da imaginação.

A verdade é que as viagens sentem-se, não se vão. E a mim bastou-me baixar 80km da minha vila natal para sentir tudo a voar novamente. A caneta assumiu-se como um membro activo e desesperado porque finalmente estou no sítio certo para esse renascimento.

Porto Covo, é de onde vos escrevo. Protegido pelo mar e acompanhado pela família: Ana e Koli. Viajamos de caravana e procuramos todos os locais que sorriam para nós. Vamos no segundo dia e vamos calmos. Temos alguns dias pela frente e não estamos preocupados com isso. A sério: é tão bom! Experimentem!

Tenho francas saudades de vos escrever. A Ana, de vos mostrar. Aguentem-se por mais notícias nossas.