Índia

Viagens 100 nomes - noite-deserto do rajastão

Noite no deserto do Rajastão Indiano

Quero-vos falar da noite. Ela, que se mostra e nos esconde, dá-nos o lado mais calmo do dia. Nós, de viagem, à procura da melhor de todas, nunca a sentimos tanto como esta, em que a passámos deitados nas areias do deserto do Rajastão, na Índia.

As areias do deserto do Rajastão

Embalados pelas dunas e hipnotizados pelo céu. Mesmo antes de nos cair o sono, já sonhávamos em guardar cada estrela no nosso bolso para que elas se lembrassem de nós. Eu e a Ana íamos tendo conversas sem palavras, aproveitando-nos do maior e melhor silêncio que a noite nos trouxe.

Adormecemos, mas não por muito tempo. O céu, assim como um relógio, não se esquece do tempo e vai rodando para nos lembrar dele. Desta vez trouxe-nos a lua e nós acordámos. “Obrigado por teres vindo”, pensámos. E adormecemos. Desta vez acompanhados.

Nunca iremos esquecer esta noite. Sem vento, parecia que estávamos no vácuo. Os nossos sentidos baixaram para os níveis que eram estritamente necessários, o que nos fazia estar numa espécie de transe. O que a calma de uma noite nos pode trazer…

 

Sigam a ligação para ver o vídeo sobre Jaisalmer, uma das principais cidades do deserto indiano.

É oficial: Bollywood no currículo

Bollywood está oficialmente no nosso currículo.
Não acreditam? Vejam com os vossos próprios olhos! E se quiserem já temos o filme. Tragam as pipocas.

 

Confiança na Índia

Índia: o comboio da confiança

O choque cultural é um evidente distúrbio para o viajante, mas foi por este vector que se guiou o Viagens 100 Nomes. Estivemos à procura do “incómodo”. Só assim se aprende a relacionar com os outros. Só assim se aceita o facto de haver culturas diferentes daquelas a que a nossa realidade nos habituou. A confiança na Índia, na verdade, é uma faca de dois gumes.

Assim o foi na Índia: um caso especial que nos levou algum tempo para nos sentirmos confortáveis. Invasivos e sem qualquer tipo de vergonha, os indianos olham-nos sem pudor. O toque e a proximidade são elementos naturais nas relações humanas neste gigante país. Até aqui, tudo bem. São processos que o viajante tem de se sujeitar para onde quer que vá. 

Mas aquilo que mais nos custou foi a falta de confiança que tivemos nos indianos, muito por causa dos primeiros três dias na Índia, em Nova Deli. Assim que chegámos à cidade, com caras de perdidos, fomos abordados por muita gente que nos tentou levar por caminhos errados, não sabemos bem porquê; os preços dos Tuk-Tuk são tão dispersos que ainda hoje não sabemos os que correspondem à realidade; os alojamentos mentem em relação às condições. Mas o episódio que mais nos custou foi o facto de querermos comprar um bilhete de comboio para sair daquela cidade e não conseguirmos, porque ninguém nos ajudou. 

A primeira tentativa foi numa agência de turismo. Entrámos para ir buscar um mapa, mas logo nos apercebemos da demasiada simpatia. Foi num instante que nos quiseram vender viagens a preços impensáveis. Recusámos.
No hostel, assim o fizeram também e isto custou-nos ainda mais, porque se nem nos donos do hostel podemos confiar, em quem é que podemos?

Foi um casal de argentinos que nos disse qual seria o sítio correcto para comprar bilhetes e acabou por ser uma tarefa bastante fácil. Mas lá que andámos enrascados, andámos! Não foi uma situação confortável. Condicionou-nos o resto da viagem e criámos aversão em confiar. Mesmo naqueles em que se calhar até o mereciam.

Índia de dois gumes

Acabados de chegar do Nepal, um país a que fomos habituados aos sorrisos e ao calor humano, Nova Deli foi um caso grave de desconforto. A Índia não começou bem connosco.

A capital tem 10 milhões de habitantes. Este número reflecte-se na exaustão de recursos e na consequente pobreza. Pessoas sem tecto e sem qualquer tipo de higiene são despejadas nas ruas de Deli. São caminhos decorados pelo lixo persistente, onde circulam vapores de urina. Esta é uma parte da cidade. A outra é composta por indianos que consomem nos centros comerciais. Os carros, as roupas e o desdém a quem lhes vai pedir esmola. Aqui não há lixo. Aqui até o sol brilha mais. Estes são os contornos de uma cultura que vive sob a forma de castas. O sangue de um é melhor que do outro, argumento mais do que suficiente para se maltratarem e se desrespeitarem.

A chegada a Nova Deli foi de loucos. Não encontrámos o hostel de imediato e nesse período fomos abordados por habitantes com sorrisos traiçoeiros e ajudas falsas, à procura de fazer dinheiro com aqueles que carregam uma mochila às costas. É a lei da sobrevivência. Isto fez com que o nosso nível de confiança descesse em relação aos indianos mesmo com aqueles que só queriam o nosso bem.

Ao encontrarmos o hostel pretendido, verificámos que estava lotado e acabámos por ficar numa típica espelunca, uma pensão muito mal localizada, suja e com ruídos nocturnos muito desagradáveis.

Precisávamos de sair de Deli e fizemo-lo em direcção a Agra, a cidade turística do Taj Mahal.

Foi aqui que começamos a perceber que a degradação dos hostels não vinha referenciada nos sítios da Internet destinados à reserva de alojamentos. Não somos clientes difíceis. Vivemos bem com pouco. Mas não gostamos que nos mintam em relação às condições, principalmente quando há locais que cortam recursos básicos como a água e a electricidade só para reduzir despesas.

Aos poucos também nos fomos apercebendo que as relações pessoais seriam, por vezes, incomodativas para nós. Os olhares fixos, curiosos e demasiado próximos eram uma constante. A Ana era enfrentada com olhos de apreciação desagradáveis, enquanto a mim me perguntavam se éramos casados. A minha resposta era sempre positiva e logo aí nos deixavam de incomodar. Nunca sentimos medo, nem sinais de violência e começámos a perceber que se demonstrássemos um tom rígido, deixavam-nos de incomodar. No entanto, acreditamos que é preciso astúcia, precaução e coragem para uma mulher viajar sozinha na Índia.

A Índia é um país extenso e não é igual em todo o lado. Como exemplo, podemos dizer que encontrámos pessoas mais abertas no Sul, em Goa. E é aqui que aproveito para começar a falar das maravilhas da Índia: a sua diversidade cultural.

Estivemos na área do Rajastão e levou-nos para uma dimensão completamente diferente. Terra de ciganos e cultura nómada, com um deserto que separa esta região, da fronteira do Paquistão. As casas, com os seus tons dourados e arenosos, embelezavam as cidades. O olhar fotográfico da Ana rendeu-se a tais encantos. Por esses lados, tivemos também oportunidade de assistir a corridas de camelos desengonçados e de passear e dormir no deserto. Esta última experiência foi das melhores que tivemos na viagem. Passar a noite nas areias finas, sob um céu estrelado hipnotizador e acompanhados pelo silêncio mais severo que já nos cantou, foi algo que nunca iremos esquecer.

Depois foi Goa. As praias índicas já há muito que nos chamavam e nós fomos. Fartos de aturar hostels desviados do nosso gosto, decidimos alugar um quarto só para nós num alojamento mais caro. Esta era, aliás, uma condição de Goa. Movida pelo turismo, os preços inflacionavam, formando uma discrepância notável numa Índia onde tudo é barato.

Em Goa ainda se vive resquícios de um paraíso para a cultura hippie. As festas psicadélicas continuam em grande plano e este Estado continua a ser local de encontro para as novas gerações da contra-cultura. Percebe-se rapidamente a razão de ter sido Goa a escolhida, quando olhamos para as suas praias. São autênticos monumentos construídos pela natureza. Gostámos muito de por aqui estar, em que fizemos vida de sol, praia e cerveja. Ficámos com pena de não termos estado mais tempo.

No fundo, assim se resumo a nossa estadia na Índia: necessitávamos de um período maior e não apenas 30 dias. Foi um erro ter feito um visto tão curto. É um país complicado. Precisámos de algum tempo de adaptação e quando começámos a gostar e a compreender a Índia estava na hora de ir para a Tailândia.

Para a próxima fazemos as coisas de maneira diferente. Viajámos demasiado rápido e não criámos raízes em nenhum lado. Desperdiçámos demasiado tempo em viagens, quando podíamos ter ficado mais tempo numa só região.

Queremos voltar à Índia. Dar uma segunda oportunidade. Apesar de muitas alegrias, acreditamos que ainda tem mais potencial.

Até já Índia!

O filme mais esperado do ano

Lembram-se da nossa aventura pelo mundo de Bollywood? Foi no mês passado de Fevereiro, durante a nossa estadia na Índia. Nesta altura, fomos convidados para participar na figuração de um filme intitulado “Baadshaho”.

Agora, vários meses depois, é lançado o trailer desta que, foi para nós, uma das maiores preciosidades da viagem.

Partilhamo-lo aqui convosco só para terem uma ideia onde andámos metidos. E se procurarem bem, aos 46s pode ser que vejam alguma cara familiar.

 

 

 

Goa | Índia | Viagens 100 Nomes

Praias paradisíacas, cervejas acompanhadas pelo pôr do sol e muita animação. Foi isto que a portuguesa Goa nos ofereceu na última semana da Índia.
Desfrutem do nosso vídeo acompanhados pela música do nosso amigo KALA HARI.

Podcast RCG 2017-03-02 | Viagens 100 Nomes

 

 

Terminámos em Goa, Índia e não começamos da melhor forma na Tailândia. Houve malas perdidas e mais um Workaway que não deu certo.

Devemos também um pedido de desculpas aos ouvintes da Rádio Clube de Grândola que não tiveram o seu programa na quinta-feira, às 12h, devido a um engano nosso no envio do mesmo.

Jaisalmer | Índia | Viagens 100 Nomes

Jaisalmer, cidade do Rajastão indiano encanta com a sua luz amarela. Zona de ciganos e de mulheres que embelezam as estradas com os seus véus de todas as cores.
Foi aqui que nos passeamos pelo deserto com os nossos amigos camelos.
Esperamos voltar!

 

Goa, um paraíso à portuguesa

Goa é um estado muito grande e eu não me vou pronunciar com observações gerais, porque só conheço duas localidades: Pangim e Anjuna. Em Pangim estivemos pouco tempo e aquilo que mais nos impressionou foi a forte cultura portuguesa presente em certos bairros. É curioso ir vendo a nossa língua mãe escrita em todo o lado: “casa Pinto”, “albergue Afonso”, “rua Coração de Jesus”, “colina do Altinho”, entre muitas outras. As casas são tipicamente portuguesas e até encontrámos pessoas a falar português.

Já Anjuna, é uma aldeia de praia. Vasco da Gama descobriu o caminho marítimo para Goa, mas os turistas e viajantes também. E não chegam só pelo mar, vêm de todo o lado. As caras ocidentais repetem-se quando se anda pelas ruas e os preços sobem conforme nos vamos aproximando das praias. Quem sofre com isso são essencialmente os locais, que vão sendo afastados das suas casas para darem lugar a quem tem mais dinheiro e as habitações vão sendo transformadas em hotéis e restaurantes.

Normalmente, quando isto acontece, há uma tendência para a região perder identidade, mas curiosamente, não está a acontecer em Anjuna. Aqui a genética foi alterada pelos hippies dos anos 60 e 70, que viram em Goa um local predilecto para perpetuar o movimento através da migração para esta zona da Índia. Esta ideia continua a ser cimentada nos dias de hoje.

Mas será que toda a gente vai para Anjuna porque outrora foi um “hippie paradise”? Não. Aquilo que salta mais à vista é uma inevitável comparação com o nosso Algarve: muitos indianos, jovens, com dinheiro, que vão passar uma temporada ao Sul da Índia para se divertirem. Não faltam também os russos e os ingleses que vêm fazer um turismo exactamente igual ao que se poderia fazer na praia da Rocha.

No entanto, também é fácil encontrar refúgios dos velhinhos da contra-cultura, e os locais de encontro do movimento neo-hippie.

Esta é a identidade de Goa que eu conheço: diversidade. E isto não é de agora, porque desde o século XVI que os templos hindus se misturam com as capelas cristãs.

Espero que este ponto que caracteriza Anjuna esteja longe de ser apagado. Fica mal difamar a diversidade. É muito melhor celebrá-la. E foi isso que encontrámos nas pessoas com que nos cruzamos em Anjuna.