Nepal

“Mama”

No primeiro país em que estivemos, no Nepal, fomos recebidos por uma família bem característica de Catmandu. A naturalidade pairava nesta casa, em todos os seus elementos, que viviam num lar simples, assaltado pelas temperaturas baixas de Janeiro, compostas de correntes de ar que teimavam em entrar por cada fresta, em cada divisão.

A família era grande, mas foi a matriarca que nos chamou mais a atenção. Chamávamos-lhe “Mama”. Ainda hoje nos lembramos bem do seu sorriso, que o mostrava com a mais pura das simpatias. Fazia-o quando comunicava, percebendo, ou não, o nosso inglês. O idioma não era o mesmo, mas o esforço era intenso para que fosse percebida. 


Invejámos a sua flexibilidade física, trabalhando no cultivo dos alimentos que um dia os havia de cozinhar. Admirámos a destreza com que tratava as tarefas domésticas. A primeira a acordar e a última a deitar, segurando o seu mundo com as próprias mãos. Nunca nos faltou nada. Comemos, bebemos e sorrimos. Tudo o que se pretende num lar. 

Esta é a nossa homenagem de quem nos tratou tão bem. 

Obrigada Mama!

Os melhores frutos do Nepal

Durante o nosso percurso de quatro dias nos Himalaias, além das montanhas, das árvores e dos riachos, tivemos a companhia de muitos e bons amigos. Foram-nos oferecidos pelo melhor do Nepal e fizeram parte desta grande experiência. O primeiro companheiro a ser colhido foi o Lin. Encontrámo-lo logo ao início do percurso, assim que saímos do autocarro. Bastou dizer-se “eu vou por ali” completado por “eu também”, para não nos separarmos mais nos três dias seguintes. Tivemos sorte com o parceiro. Com as mesmas ambições e o nosso ritmo. Cansava-se na mesma altura que nós. Estávamos ali para desfrutar.

A segunda noite foi especial. Quando estávamos a chegar ao Poon Hill, o pico mais alto do percurso, tivemos a sorte de ficar na guest house certa, pernoitada por gente boa.

Na sala de convívio havia uma salamandra construída de forma artesanal, que nos ia aquecendo a conversa. Entre palavras e risadas conhecemos um casal de chilenos, o Max e a Begoña, um casal de franceses, a Aurélia e o Adryan e reencontrámos dois amigos (mais um casal) que conhecemos dias antes em Catmandu. Nesta noite, o frio gélido das montanhas foi incomodado por esta movimentação de calor humano que nos fez ir para a cama com um sorriso no canto da boca.

No outro dia a estrada era nossa.  Fomos todos na mesma direcção. Foi o único dia que o fizemos todos juntos antes da prevista separação. Uns iriam tomar diferentes rotas, outros, como nós, iríamos acabar a jornada.

Mas no entretanto houve mais tempo para um encontro com história representado nas fotografias que vos mostramos. Confesso que não me recordo do seu nome nem do número certo de dias que estava a caminhar, mas transcendia as duas semanas. Disse-nos que estava há muito tempo sozinho e que, em tanto tempo não tinha uma única fotografia dele. Pediu-nos para o fazer, mas com a sua máquina, uma câmara muito antiga, difícil de manusear. Em troca fez o mesmo por nós e prometeu-nos enviar a imagem.

Receboma-la nestes dias. E ao ver esta foto, acreditem, tudo o que vos conto passou-me numa fracção de segundo pelos olhos. Saudades desta gente.

Nepal: O Primeiro Aconchego

Ainda estávamos no avião, a aterrar no aeroporto de Catmandu, capital do Nepal, e o nervosismo já nos inundava. Não sabíamos o que nos reservava este país e, muito menos, os próximos 6 meses. A primeira hora foi desconfortável. Confusão de vistos e pressão de taxistas: ainda não estávamos habituados.

Enquanto atravessámos a cidade com o taxista mais persistente, a caminho da família que nos ia acolher, vimos uma cidade velha, pobre, ruidosa e caótica. Entre nós, olhávamo-nos e sentíamos que a nossa perspectiva tinha encontrado outra realidade. A intensidade desse trajecto nunca será esquecida.

À nossa espera estava uma família que nos acarinhou e ensinou muito. Essa, aliás, seria uma constante no Nepal: gente muito receptiva e bondosa. Nesta casa ficámos 12 dias. A água, para beber, era fervida numa fogueira no quintal; para tomar banho, chegava-nos fria, gelando ainda mais o mês de Janeiro.

O Nepal é um país pobre e a sua capital reflecte. O trânsito caótico, o lixo e o pó são aliados daquelas ruas, que recebiam muitas pessoas sem casa e sem comida. No entanto, a nossa experiência em Catmandu não foi má. Saltitámos de templo em templo e de praça em praça, em contacto pela primeira vez com o misticismo do hinduísmo e do budismo.

Depois o contraste: os Himalaias. Local onde queremos voltar. Por estes trilhos fizemos uma caminhada de 4 dias pelas maiores montanhas do mundo, que nos preencheu o coração com um pedaço enorme. Subimos a 3200 metros e ficámos em guest houses que não precisávamos de pagar, em aldeias que os bens essenciais chegavam de burro. Os quilómetros eram feitos entre sol e gelo, com mochilas de 10 kg às costas. As montanhas engoliam-nos com facilidade com os seus atraentes verdes e nós deixámos. Nós e os amigos que lá criámos. Um grupo de gente boa, que tornou a experiência dos Himalaias ainda mais requintada.

O Nepal foi um dos países que mais nos marcaram. Talvez por ter sido o primeiro; ou talvez porque, simplesmente, foi uma boa experiência. Entre a China e a Índia, dois gigantes asiáticos, a sua pequenez transmite-nos aconchego. É um sentimento forte e quase inexplicável, que nos faz querer voltar. Até porque, há muito ainda por descobrir.

 

Pokhara & Ghorepani Poon Hill | Nepal | Viagens 100 Nomes

Neste vídeo podem ver imagens da cidade de Pokhara no Nepal e podem acompanhar a caminhada de 4 dias que fizemos até ao Poon Hill com 3000m de altitude.

Workaway Sunrise Farm | Catmandu, Nepal | Viagens 100 Nomes

Workaway é uma plataforma onde é possível encontrar famílias, empresas ou associações disponíveis para hospedar viajantes. Em troca, o hóspede oferece aquilo que pode, seja trabalho, arte, ajuda doméstica ou até companhia.
Este foi o primeiro workaway do Viagens 100 Nomes. Foi em Catmandu, Nepal.

4 patas e 1 grande coração

Tenho um cão em casa e doeu-me deixá-lo em Portugal. Não porque esteja mal (e eu sei que está muito bem), mas porque não lhe consigo explicar que estou de volta daqui a alguns meses. Eu sei que isto pode ser um problema meu. E a psicologia animal é para aqueles que a tentam fazer e o que o Koli está a sentir só ele é que sabe. Não quero humanizá-lo.

Mas é inevitável não sentir esta compaixão pelo meu amigo. E há uma coisa que tenho a certeza: os cães precisam dos donos; os cães gostam dos donos. Porque se assim não fosse, simplesmente iam-se embora. Mas não vão.

No Nepal, tenho visto muitos cães abandonados e principalmente maltratados, mas curiosamente, cheios de amor para nos dar. Já por várias situações bastou um mimo ou um olhar para eles se entregarem a nós como autênticos guias, seja na montanha ou na cidade. Isto faz-me acreditar que eles não desistem de nós, como nós, às vezes, o fazemos.

Este post é dedicado não só aos cães que quiseram ser nossos amigos, como aos burros que eu vi levar com pedras, aos búfalos que todos os dias enfrentam a vara, assim como todos os animais que, por uma desculpa de superioridade são maltratados por nós.

Podcast RCG 2017-01-26 | Viagens 100 Nomes

 

 

Edição número 2 do Viagens 100 Nomes na Rádio Clube de Grândola.

Falamos da nossa estadia em Pokhara e da nossa caminhada de 4 dias ao Poon Hill!

Para a próxima semana já estaremos na Índia. Partimos amanhã!

Absorvendo os Himalaias

O que é que os Himalaias nos têm para oferecer? As pernas feitas num cristo, mas o coração a abarrotar de coisas bonitas.

Enquanto se caminha é como se estivesse-mos a ser esmagados por montanhas. São tão poderosas e imponentes, que nos sentimos aquilo que somos: uma coisa muito pequenina.

Fizemos amigos de quase todos os continentes, ficamos hospedados em sítios incrivelmente baratos, andamos no gelo e até fomos com o rabo ao chão.

Não percam o relato de toda a nossa aventura, amanhã, na Rádio Clube de Grândola, às 12h, com repetição às 19h.

Até lá fiquem com as imagens da fotógrafa mais bonita das terras altas.

Catmandu | Nepal | Viagens 100 Nomes

O Viagens 100 Nomes em Catmandu no Nepal.