Poon Hill

Os melhores frutos do Nepal

Durante o nosso percurso de quatro dias nos Himalaias, além das montanhas, das árvores e dos riachos, tivemos a companhia de muitos e bons amigos. Foram-nos oferecidos pelo melhor do Nepal e fizeram parte desta grande experiência. O primeiro companheiro a ser colhido foi o Lin. Encontrámo-lo logo ao início do percurso, assim que saímos do autocarro. Bastou dizer-se “eu vou por ali” completado por “eu também”, para não nos separarmos mais nos três dias seguintes. Tivemos sorte com o parceiro. Com as mesmas ambições e o nosso ritmo. Cansava-se na mesma altura que nós. Estávamos ali para desfrutar.

A segunda noite foi especial. Quando estávamos a chegar ao Poon Hill, o pico mais alto do percurso, tivemos a sorte de ficar na guest house certa, pernoitada por gente boa.

Na sala de convívio havia uma salamandra construída de forma artesanal, que nos ia aquecendo a conversa. Entre palavras e risadas conhecemos um casal de chilenos, o Max e a Begoña, um casal de franceses, a Aurélia e o Adryan e reencontrámos dois amigos (mais um casal) que conhecemos dias antes em Catmandu. Nesta noite, o frio gélido das montanhas foi incomodado por esta movimentação de calor humano que nos fez ir para a cama com um sorriso no canto da boca.

No outro dia a estrada era nossa.  Fomos todos na mesma direcção. Foi o único dia que o fizemos todos juntos antes da prevista separação. Uns iriam tomar diferentes rotas, outros, como nós, iríamos acabar a jornada.

Mas no entretanto houve mais tempo para um encontro com história representado nas fotografias que vos mostramos. Confesso que não me recordo do seu nome nem do número certo de dias que estava a caminhar, mas transcendia as duas semanas. Disse-nos que estava há muito tempo sozinho e que, em tanto tempo não tinha uma única fotografia dele. Pediu-nos para o fazer, mas com a sua máquina, uma câmara muito antiga, difícil de manusear. Em troca fez o mesmo por nós e prometeu-nos enviar a imagem.

Receboma-la nestes dias. E ao ver esta foto, acreditem, tudo o que vos conto passou-me numa fracção de segundo pelos olhos. Saudades desta gente.

Nepal: O Primeiro Aconchego

Ainda estávamos no avião, a aterrar no aeroporto de Catmandu, capital do Nepal, e o nervosismo já nos inundava. Não sabíamos o que nos reservava este país e, muito menos, os próximos 6 meses. A primeira hora foi desconfortável. Confusão de vistos e pressão de taxistas: ainda não estávamos habituados.

Enquanto atravessámos a cidade com o taxista mais persistente, a caminho da família que nos ia acolher, vimos uma cidade velha, pobre, ruidosa e caótica. Entre nós, olhávamo-nos e sentíamos que a nossa perspectiva tinha encontrado outra realidade. A intensidade desse trajecto nunca será esquecida.

À nossa espera estava uma família que nos acarinhou e ensinou muito. Essa, aliás, seria uma constante no Nepal: gente muito receptiva e bondosa. Nesta casa ficámos 12 dias. A água, para beber, era fervida numa fogueira no quintal; para tomar banho, chegava-nos fria, gelando ainda mais o mês de Janeiro.

O Nepal é um país pobre e a sua capital reflecte. O trânsito caótico, o lixo e o pó são aliados daquelas ruas, que recebiam muitas pessoas sem casa e sem comida. No entanto, a nossa experiência em Catmandu não foi má. Saltitámos de templo em templo e de praça em praça, em contacto pela primeira vez com o misticismo do hinduísmo e do budismo.

Depois o contraste: os Himalaias. Local onde queremos voltar. Por estes trilhos fizemos uma caminhada de 4 dias pelas maiores montanhas do mundo, que nos preencheu o coração com um pedaço enorme. Subimos a 3200 metros e ficámos em guest houses que não precisávamos de pagar, em aldeias que os bens essenciais chegavam de burro. Os quilómetros eram feitos entre sol e gelo, com mochilas de 10 kg às costas. As montanhas engoliam-nos com facilidade com os seus atraentes verdes e nós deixámos. Nós e os amigos que lá criámos. Um grupo de gente boa, que tornou a experiência dos Himalaias ainda mais requintada.

O Nepal foi um dos países que mais nos marcaram. Talvez por ter sido o primeiro; ou talvez porque, simplesmente, foi uma boa experiência. Entre a China e a Índia, dois gigantes asiáticos, a sua pequenez transmite-nos aconchego. É um sentimento forte e quase inexplicável, que nos faz querer voltar. Até porque, há muito ainda por descobrir.

 

Pokhara & Ghorepani Poon Hill | Nepal | Viagens 100 Nomes

Neste vídeo podem ver imagens da cidade de Pokhara no Nepal e podem acompanhar a caminhada de 4 dias que fizemos até ao Poon Hill com 3000m de altitude.

Absorvendo os Himalaias

O que é que os Himalaias nos têm para oferecer? As pernas feitas num cristo, mas o coração a abarrotar de coisas bonitas.

Enquanto se caminha é como se estivesse-mos a ser esmagados por montanhas. São tão poderosas e imponentes, que nos sentimos aquilo que somos: uma coisa muito pequenina.

Fizemos amigos de quase todos os continentes, ficamos hospedados em sítios incrivelmente baratos, andamos no gelo e até fomos com o rabo ao chão.

Não percam o relato de toda a nossa aventura, amanhã, na Rádio Clube de Grândola, às 12h, com repetição às 19h.

Até lá fiquem com as imagens da fotógrafa mais bonita das terras altas.