Portugal

Viagens 100 Nomes - Praia do Tonel

De papo para o ar na praia do Tonel

Na praia, de papo para o ar. Há algum verbo para isso? Se houver, é longo e fundo, capaz de curar muita maleita. Principalmente se o dito papo estiver virado nesta praia, a do Tonel. Francamente bonita e relaxante.

Não há indicações para chegar a estas bandas, mas fica um pouco antes da Zambujeira do Mar. São caminhos bravos para uma autocaravana, que se fazem por terras privadas. Mas o mar no horizonte atrai-nos sempre como um íman de esperança.

Num precipício, chegámos ao fim da estrada e ao início de uma das mais vistosas praias que já pisámos.

Poisámos o ninho e estacionámos a caravana. No instante seguinte aventurámo-nos pela falésia abaixo. Esqueçam a fácil acessibilidade. Com crianças é complicado. É difícil para nós, mais ainda para eles. E se eu não tivesse um cão TT 4×4, até isso seria um impedimento.


Enfim, chegámos e disfrutámos. O céu pintado na água, dá gosto. Há banhos que valem milhões. E enquanto secamos ao sol ele vai baixando. Devagarinho vai reduzindo a luz e desenhando cores incríveis para cada olhar.
Estamos bem. Acreditem.

Viagens 100 Nomes - Almograve

Cultiva-se tranquilidade em Almograve

Dirigimo-nos a conta-gotas para o Sul. Se procuramos algo, não sabemos. Talvez tranquilidade, que não se encontra, mas cultiva-se.

Estamos em Almograve e, até agora, as bússolas têm-nos apontado para praias mais desconhecidas e menos frequentadas. Não nos levem a mal. Não nos achamos especiais e continuamos a gostar de pessoas. Estas é que às vezes não toleram cães e o nosso bicharoco gosta de estar sem trelas, sem sinais de controlo a animais e sem olhares de lado reprovadores.


Temos tido sorte. Por estes lados nascem praias a cada 
obra da nossa costa. Os acessos, desajeitados, tornam tudo mais divertido. Afinal a recompensa é enorme. Areias limpas e despoluídas, enfeitadas por algas verdes e secas. As rochas, rodeiam-nos.

Enfeitiçam-nos com a sua história contada através dos seus sábios sedimentos, alguns já velhos e curvados. As pedras rolam porque o mar assim o quer e, entre elas, criam a sua própria música.


Hoje falei com a Ana acerca das nossas viagens. Do quanto é difícil nos surpreendermos com as praias de outras costas. A explicação está aqui. De onde vos escrevo. Ainda bem que estamos mal-habituados.

 

Porto Covo - Viagens 100 Nomes

Porto Covo, é de onde vos escrevo

Não me tem apetecido escrever. Não pela falta de destinos, mas talvez porque estas voltas me têm levado a lugar nenhum.

As preocupações destabilizam a recepção de novos mundos e fecham os canais da imaginação.

A verdade é que as viagens sentem-se, não se vão. E a mim bastou-me baixar 80km da minha vila natal para sentir tudo a voar novamente. A caneta assumiu-se como um membro activo e desesperado porque finalmente estou no sítio certo para esse renascimento.

Porto Covo, é de onde vos escrevo. Protegido pelo mar e acompanhado pela família: Ana e Koli. Viajamos de caravana e procuramos todos os locais que sorriam para nós. Vamos no segundo dia e vamos calmos. Temos alguns dias pela frente e não estamos preocupados com isso. A sério: é tão bom! Experimentem!

Tenho francas saudades de vos escrever. A Ana, de vos mostrar. Aguentem-se por mais notícias nossas.

 

Era uma vez no Porto…

Uma nova vida devia ser mais fácil. Mudar de ambientes, pisar novas terras e escolher novos caminhos deveriam ser ideias integradas em nós. Mas não. Tornamos tudo difícil, refugiados num dito traiçoeiro e desonesto que sempre nos foi transmitido: “a vida é complicada”. A verdade é que há fracções que criam obstáculos nas nossas movimentações e nós, humanos e seres sociais, deixamos de o ser tornando-nos em coisas aos olhos dos outros. Só assim desviamos estas pedras manhosas do nosso caminho.

Eu e a Ana viemos para o Porto. A revolta ainda mora em nós quando pensamos na dificuldade que foi para conseguir habitação. É desta situação em particular que vos falo.
Os turistas, bichos ferozes, devoram tudo por onde passam. O Porto, como cidade, aponta as setas para este entusiasmo desenfreado, esquecendo-se da outra ponta: aquilo que traz os viajantes à Invicta – a identidade. Identidade são as pessoas de cá e este processo de afastamento do núcleo está a matar, muito lentamente, a galinha dos ovos de ouro.
Deveria haver lugar para todos, mas não são todos que podem pagar 500 ou 600 € por um T1. Não são todos que têm fiador, nem são todos que conseguem pagar 3 e 4 rendas adiantadas. E isto, o que há, é pouco. Foram escassas as casas visitadas e ao acontecer, tornámo-nos nas tais coisas; seres competitivos em busca de um prémio que deveria estar assegurado a todos: habitação.

Este é um desabafo fora do contexto das nossas viagens, mas uma mensagem importante que queremos passar. O turismo está a tirar-nos o coração de muitas cidades. É urgente um equilíbrio e fluidez. Não somos anti-turista, por razões óbvias. Mas somos contra um ordenamento histérico a pensar pouco na comunidade local.
Para a despedida surgir com um sorriso na cara, digo-vos que através da paciência e da sorte, conseguimos um apartamento que reúne condições agradáveis. Ficamos contentes com o novo ninho e esperamos ser muito felizes nesta cidade que sempre nos recebeu tão bem. Tudo a postos para novas aventuras.

Regresso a nós!

Chegámos magros, quando regressámos da viagem. Mas de lá, até ao agora, eu, por exemplo, já engordei quase 10 kg. Os nossos receberam-nos famintos, mas não apenas de comida. Durante os primeiros dias enchemo-nos de jantaradas, abraços, conversas e tardes de praia. Enchemo-nos de vida fácil e de pormenores que caracterizam o nosso Verão. Assim se passou o mês de Julho.

O reverso chegou com o Agosto. Quando o dinheiro se dissipa tomam-se atitudes e nós fizemo-lo como empregados de uma hamburgaria. Conto-vos estes aspectos da vida pessoal para se quiserem perceber o porquê da pouca actividade do Viagens 100 Nomes. Não queremos deixar o blog, mas fomos invadidos por uma rotina que, além de nos retirar tempo, cortou-nos parte de uma motivação que esteve sempre presente em 6 meses de viagem. Para mim não está a ser fácil escrever sobre temas que foram vividos com um estado de espírito completamente diferente. Neste momento estamos em processo de mudança.

Aquilo que sentimos falta…

 

Precisamos de estabilidade para cumprir tudo aquilo que imaginamos para o Viagens 100 Nomes. No entanto, existe tantas coisas que sentimos falta… Uma delas é de passear. E foi o que fizemos na folga que tivemos ontem, a primeira do último mês. A manhã foi feita ao sabor da Costa Vicentina, num dos muitos percursos pedestres que a zona tem para oferecer. Estivemos em Almograve e contornámos um trilho circular extremamente bem preparado e sinalizado. Antes de chegarmos às dunas, mergulhámos na vegetação serrada que enfeita as areias brancas, responsáveis pelo nosso andar desengonçado e cansativo. A segunda metade do trajecto foi desfrutada ao som do mar a incomodar as rochas que, irredutíveis preenchem as praias que só não são desertas porque nós estamos lá.

Soube bem planear tudo. Pesquisar informações e voltar a tocar em mapas. A máquina fotográfica da Ana estava há demasiado tempo parada e os disparos não foram poupados. E enquanto a Ana ficava para trás, embrulhada num jogo de imagens, eu ia esperando. Até essa pequena chatice me soube bem. É bom ter problemas que no fundo não os quero resolver.

Acabámos a tarde no marisco, no local de Azenha do Mar e restaurante com o mesmo nome. Empanturrámo-nos como só nós o sabemos fazer e quando chegámos, ainda mais gordos, recordámos o bom que é chegar cansados do que o mundo nos tem para oferecer e descansados de uma rotina sempre fácil de quebrar.

Surpresa!

SURPRESA!

Voltámos para casa. Entre um turbilhão de emoções, fizemos as malas e apanhámos o avião que nos trouxe já saudosos. Custou-nos. Mas estava na hora. Estava na altura de voltar à base. De encher o vazio com carinho daqueles que gostam de nos ter por cá.

Os planos de chegada ficaram para nós e quisemos surpreender. Família e amigos: ninguém nos esperava. Sabe tão bem criar picos de alegria…

Agora, é altura de ouvir as novas, libertar as nossas estórias e coleccionar abraços.

A vós, agradecemos por terem sido aquilo que foram connosco. Esta viagem teria sido nada sem vocês.

Mas não há despedidas! Temos muito para vos dizer. Momentos para recordar e conclusões para concluir. As ideias não tiram férias. Continuam a surgir, convencendo-nos de que o projecto Viagens 100 Nomes não vai morrer cedo. Vamos dando notícias.

Para já, deixo-vos com uma das recepções que eu mais ansiava. Amor de cão. O nosso bixo.