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Viagens 100 Nomes - Inspirar Tondela - Gap Year

Gap Year: Inspirar em Tondela

Quando chegámos da viagem, tivemos que nos olhar de novo. O ângulo e a perspectiva mudaram quando estamos do outro lado do Mundo. Sabíamos que o blog iria ter menos conteúdo, mas estávamos convencidos de que não era o fim. As coisas facilmente se reinventam e nós, com o peito pesado de ideias para partilhar, gostamos de ser ouvidos. Uma forma que tínhamos para continuar a falar da nossa viagem, é com o incentivo ao Gap Year.

Incentivar o Gap Year

Pois, eis que fomos convidados para comunicadores numa palestra. Foi em Tondela, numa manhã dividida entre duas sessões. Tudo correu bem. Partilhámos um pouco de nós, enquanto fomos extremamente bem recebidos. Esperamos que tenha sido inspirador para quem nos ouviu.

A nós veio-nos despertar sonhos passados. O sangue quente que nos dá a vontade de conhecer mais. Temos saudades de ir embora.

 

Viagem em pespectiva - Viagens 100 Nomes

Um ano depois… Viagem em perspectiva

Viagem em perspectiva

Há um ano dizíamos que todas as histórias têm um começo, um medo e um sim. Dizíamos também que queríamos tornar a vida ainda maior do que a curiosidades que temos pelos outros. As premissas, mantém-se. E olhando para nós nesta perspectiva passada, vejo-nos seres felizmente confusos, em que a nossa única ideia fixa é saber que tínhamos pensamentos ténues e moldáveis. Fugimos de nós para nos acharmos do outro lado do mundo – em viagem.

Partimos para o Nepal a 5 de Janeiro de 2017 e iniciámos a primeira grande viagem das nossas vidas. Viajámos pela Ásia e, com este blog, decidimos que há estórias que não devem ficar em segredo. Continuamos a pensar desta forma. Todos nós precisamos de relatos e de aprendizagens. É um ciclo que não deve ser fechado por razão alguma. Só a comunicação sensata e recíproca é capaz de abrir o caminho da compreensão que devemos ter uns pelos outros. Viajar, no verdadeiro sentido que atribuímos à palavra, não são quilómetros: são experiências – as nossas e as dos outros. Ensina-nos a saber a ouvir, a pensar e a agir. Aprendemos aos poucos a saber colocar-nos no lugar dos outros, um valor imprescindível nos dias de hoje.

Neste momento, acreditem, queremos mais. É impossível estar saciado com um mundo infinito. Apetece-nos dar passos largos, deixando pegadas cheias de novos contornos. O plano é não largar o projecto Viagens 100 Nomes. Estamos a escrever um livro, queremos espaços para exposições de fotografias e vamos começar a dar algumas pequenas conferências. Estamos activos! E juntos! Depois de 1 ano que soube a 10, continuamos a descobrir a cumplicidade que existe entre nós. Já agora, aproveitemos a deixa para vos dizer que vamos casar. Queremos celebrar aquilo que melhor temos na vida. Aliás, queremos celebrar a própria vida.

Espero-vos a todos bem! Já tínhamos saudades de vos escrever.

Ora, vamos às contas! (Parte II)

Neste relatório financeiro de viagem vamos incluir tudo o que gastámos. Não vamos pôr de parte certos valores como os vistos nas fronteiras ou as viagens de ida e volta, como muitos viajantes blogueiros o fazem. Acreditamos que para planear uma viagem cada cêntimo é importante. Tivemos alguma dificuldade em encontrar informação útil, que nos daria jeito antes da partida, principalmente estando a viajar a dois, onde, muitas vezes, não se percebe se o relatório é feito individualmente ou como casal.

Sem dúvida que viajar a dois tem vantagens monetárias. Um quarto num hotel por 8 €, compensa muito mais do que uma cama em dormitório de 5 € para cada um; provavelmente uma baguete no supermercado vai dar para o pequeno-almoço que temos em comum. Há muitas situações que podemos tirar partido sendo nós um casal.

Existem aplicações móveis que nos ajudam a fazer as contas. Contámos com com a ajuda de uma, chamada de Trail Wallet. Introduzindo todos os valores consumidos, conseguimos chegar a dados estatísticos, que nos permitiu controlar o dinheiro.

Aqui introduzimos um limite de 500 € mensais para os dois, o que nos deu um valor de, 16 € diários. Houve alturas que ultrapassámos bastante, mas também houve outras em que conseguimos equilibrar o orçamento. Esta compensação surgiu quando fizemos trabalho voluntário ou utilizámos a plataforma Couchsurfing. Certo é que foi raro o mês em que conseguimos manter-nos no limite. Acabámos por fazer uma média de 18 € diários, pouco menos de 600 € mensais. 

Não foi mau, tendo em conta as obrigações. Veja-se os vistos. Na Ásia, nos países por onde pisámos, só na Tailândia e Malásia não existe um valor de entrada. De resto, ronda os 40 € por pessoa. São 80 € retirados ao valor  mensal de 500 €. Os vistos são uma despesa altíssima, muitas vezes esquecida.

transporte inter e intra cidades é também dispendioso. Ocupou 25% do gasto total. Este montante pode ser combatido de duas formas. A primeira é viajar lento e não querer estar em todo o lado. Criar raízes é uma coisa boa. Se estivermos num movimento constante ganhamos em quantidade, mas perdemos em qualidade. O único sítio em que o fizemos foi no Vietname, o qual percorremos de Norte a Sul, mas aqui utilizámos a segunda forma de reduzir o encargo dos transportes: andar à boleia. Confesso, fomos preguiçosos. Podíamos tê-lo feito mais vezes. Mas o peso que tínhamos às costas, com toda a tecnologia distribuída pelas mochilas, e o calor que se fazia sentir nas estradas, fez com que preferíssemos os transportes pagos.

Na acomodação é muito fácil poupar. Representou 18,9%, o que significa uma média diária de 3,72 €. É menos de 2 € por noite a cada um. Os hostels e todo o género de casas desse tipo são maioritariamente baratos. Mas há maneiras de pessoas, famílias, associações, etc, nos receberem nas suas casas. Aconteceu em grande parte da nossa viagem. Aqui, além de termos dormidas gratuitas, estamos também em contacto com os locais, aqueles que realmente nos ensinam coisas novas. Como exemplo vos digo que, no Cambodja, onde estivemos 30 dias, gastámos 31,17 € e foi por que decidimos passar alguns dias num bungalow perto da praia.

A restauração é ridiculamente barata. Podemos afirmar que 70% das refeições fizemo-las na rua. A comida levou-nos 27% do capital. Foram 5,40€ diários, ou seja, cada refeição teve uma média por dia, mais ou menos, 1,30€. Houve vezes que comemos mais caro, outras até oferecidas. Relembro que estamos a falar de uma média. Além disso, será bom referir que nem toda a restauração é barata. Há que procurar o sítio certo e, normalmente é na rua que se praticam estes preços: nas barracas de gente da terra. Ir ao mercado e comprar legumes e frutas é ainda mais rentável. Aconteceu sempre que possível.

Depois vem o resto: cerveja, tabaco e entretenimento no geral. O último foi pouco dispendioso, mas alguém que quiser ver tudo prepare-se para largar uma nota preta. Nós fizemos questão de visitar os templos de Angkor, no Cambodja, e os dois gastámos 120 €, quase 1/4 do nosso orçamento mensal. Os fins de tarde acompanharam-se muitas vezes de cerveja, que ainda fizeram moça com 4,3% do total.

As viagens de Portugal para a Ásia e sentido inverso foram 1550 €, já a contar com os dois sentidos e com as nossas duas viagens.

Outro gasto, aquele que nos custou mais, foram as taxas bancárias. Confesso que não sabemos o número certo, mas provavelmente tirou-nos 25 € por mês. Levantar muito dinheiro, o máximo possível, é boa ideia. As taxas não variam muito, seja qual for o valor levantado.

Façam-se as contas. Gastámos à volta de 2500 € cada um. Recorde-se que foram 6 meses de viagem e não 3 semanas num resort. É possível, tanto para nós, como para ti.

No próximo post iremos dizer-vos como juntámos o dinheiro para a viagem. Espero que, por agora, tenhamos sido claros. Aceitamos qualquer dúvida que por nós possa ser esclarecido.

Vemo-nos para a semana. Tenham uma óptima sexta-feira.

Ora, vamos às contas!

Esta é a pergunta mais constrangedora: “Quanto gastaram?” ou “Quanto precisaram?”. No entanto, o incómodo vem da parte de quem questiona, porque nós assumimos o tópico com naturalidade. Nunca tentámos esconder, nem iludir, aqueles que sentem a normal das curiosidades.

A perplexidade de quem nos rodeia vem de um estigma muito conservador de que para viajar é preciso ser rico. Hoje em dia, com a internet e a comunicação facilitada, estamos todos mais perto uns dos outros. Encontram-se alternativas que nem sonhamos. Mas uma coisa é certa: não é fácil e é preciso extrema organização e maturidade. O dinheiro pode tapar os buracos deixados por estes valores, para quem os tem em défice. O dinheiro resolve muitas coisas numa viagem, mas inibe de chegar a outras. Oculta a verdade e a identidade. Estamos seguros de que se tivéssemos uma conta bancária mais recheada , não teríamos conhecido tanta gente, não teríamos feito tantos amigos e não teríamos passado pelas melhores experiências. Para quê dinheiro, se tenho memórias? O conforto material pode ser um regozijo, porque o que conta é estarmos bem; perto dos momentos certos.

Também tenho noção de que para nós, portugueses, não é tarefa fácil. Talvez seja por isso que nunca encontrámos um conterrâneo durante estes 6 meses. Não está ainda enraizado na nossa cultura. Sair sem previsão de vir, ou tirar uns meses para a descoberta. E quem o faz é visto como alguém demasiado corajoso. São questões culturais e económicas. Ora vejamos, na Dinamarca o Estado encoraja os jovens a viajar e a auto descobrirem-se durante um ano e têm bolsas para isso; em França há empresas que disponibilizam o ano sabático; na Austrália, EUA, Inglaterra o ano zero é visto como normal, assim como notamos mentalidades mais desenvolvidas nesse ramo por espanhóis, italianos, belgas e sul americanos no geral. Aqui, em Portugal, somos altamente pressionados para entrar no mercado de trabalho, o que, se o fizermos sem nos conhecermos a nós próprios , provavelmente seremos infelizes.

No final da semana sob a forma de esclarecimento, mas também para inspiração, vimos de contas feitas. Quanto?, como?, em quê? e porquê?. Diremos o que gastámos sem truques e com transparência.